"PS e PNS ainda não compreenderam que é necessário fazer diferente"

"PS e PNS ainda não compreenderam que é necessário fazer diferente"

A coordenadora do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, considerou, esta terça-feira, que o partido tem “a certeza de que não vai haver uma maioria de direita em Portugal” e admite entendimentos à Esquerda para que “exista no Parlamento uma maioria para fazer o que não foi feito”.

“Acho que se destas eleições internas do Partido Socialista [PS] se afastar definitivamente a ideia de um bloco central, de um acordo, um regime, entre o PS e o PSD, então é uma boa noticia, mas falta saber como o PS vê a maioria absoluta do passado e a verdade é que o PS ainda não reconheceu os erros dessa maioria absoluta”, afirmou Mariana Mortágua, em entrevista na SIC Notícias.

Na ótica de Mariana Mortágua, “o mais importante a seguir às eleições não é tanto o local nem os encontros, é a definição das políticas que é feita até lá e o que é que vai ser possível fazer no dia a seguir as eleições para resolver problemas tão graves como o facto de as pessoas não conseguirem ter uma casa para viver ou não conseguirem aceder aos hospitais”.

“No Bloco de Esquerda temos uma certeza e um objetivo. A certeza é que não vai haver uma maioria de Direita em Portugal e o objetivo é que no dia a seguir às eleições se constitua, e que exista no Parlamento, uma maioria para fazer o que não foi feito”, atirou, de seguida.

“Pedro Nunos Santos ainda não compreendeu que é necessário fazer diferente”

Para a líder bloquista, “a habitação é hoje uma das principais crises que Portugal enfrenta”. “Parece-me que o Partido Socialista e Pedro Nuno Santos, que foi ministro da Habitação, ainda não compreenderam que é necessário fazer diferente do que a maioria absoluta tem feito até agora”, acrescentou ainda.

“Pedro Nuno Santos ainda está em negação relativamente à política da maioria absoluta para a Habitação, insiste na ideia de que fez uma revolução quando, na verdade, há uma contrarrevolução que é uma revolução ao contrário na Habitação, que faz com que parte das pessoas têm enormes dificuldades em pagar uma renda, arranjar uma casa”, frisou.

“A fasquia do Bloco de Esquerda é aquela que permita construir maiorias na AR”

Questionada sobre o objetivo do Bloco de Esquerda para estas eleições legislativas, Mortágua destacou que “é poder determinar as soluções que interessam para Portugal”.

Com a certeza de que a Direita não vai ter uma maioria e “não tendo uma maioria, o objetivo é que na Assembleia da República [AR] exista uma maioria para resolver a crise da habitação, o problema dos hospitais que estão fechados, dos professores”. “A fasquia do Bloco de Esquerda é aquela que permita construir maiorias na AR”, assinalou ainda.

E continuou: “O que vai determinar o futuro é a capacidade para encontrar uma resposta para os problemas que a maioria absoluta agravou. Hoje é importante que o PS reconheça os erros dessa maioria absoluta – ainda não os reconheceu – e que apresente soluções que quebrem com esse caminho e mudem esse passado”.

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