O fundo criado para indenizar as 71 famílias das vítimas do acidente aéreo da Chapecoense, ocorrido em 2016, vai receber um aporte de R$ 54 milhões — subirá de R$ 81,45 milhões para R$ 135,75 milhões. Os valores são negociados em dólar, cotado a R$ 5,43 nesta quarta-feira (6). A informação foi divulgada pelo senador Jorginho Mello (PL-SC), presidente da comissão parlamentar de inquérito que investiga o caso.
De acordo com o parlamentar, ele negociou o aumento com a seguradora Tokio Marine, em Londres, na terça-feira (5). A Embaixada do Brasil no Reino Unido também partipou das tratativas.
Segundo Mello, em 2017, a seguradora criou o fundo com objetivo de fazer acordo com os familiares das vítimas do acidente. Na primeira negociação, foram oferecidos US$ 200 mil, e nenhuma família aceitou. Meses depois, o valor subiu para US$ 225 e cerca de 24 famílias decidiram aceitar o valor.
Em contrapartida, quem aceitou o acordo assinou um termo de quitação que impede qualquer ação judicial contra a companhia área LaMia e a seguradora Bisa.
Com o aporte de US$ 10 milhões no fundo, as 24 famílias que já receberam o valor acordado poderão sacar mais US$ 138 mil. As outras 47 famílias que ainda não receberam nada do fundo e que queiram aderir, agora receberão o total de US$ 363 mil cada.
“Nada vai trazer esses guerreiros de volta. Mas é uma notícia que acalenta um pouco o coração das famílias. É inadmissível que essa indenização tenha demorado tanto para ocorrer. Por isso, fiz questão de vir à Londres e buscar este acordo. Considero uma missão exitosa e volto para o Brasil realizado”, destacou o senador.
Criada em 2019 para apurar o atraso no pagamento das indenizações às famílias das vítimas, a CPI da Chapecoense deveria entregar, a princípio, o relatório em agosto de 2020. Contudo, os trabalhos foram suspensos por dois anos por conta da pandemia de Covid-19 e só foram retomados neste ano.
O acidente ocorreu na Colômbia, entre 28 e 29 de novembro de 2016. A Chapecoense iria disputar a final da Copa Sulamericana, em Medellín.
O avião decolou de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, e caiu após sofrer uma pane por falta de combustível, matando 71 pessoas.

