São Paulo, Brasil
Era um acordo simples.
A cúpula da CBF não abriria guerra contra a formação de uma Liga de Futebol Brasileira, como já sabotou inúmeras vezes.
Em compensação, os clubes não interfeririam na eleição de Ednaldo Rodrigues para a presidência da CBF. Com direito à reeleição. Todo o pleito seria definido pelas Federações.
Foi o que aconteceu, no dia 23 de março.
Estava enterrada de vez a figura de Rogério Caboclo, afastado da presidência acusado de assédio sexual e moral contra funcionários da CBF.
E os clubes concordaram com o acordo com o Ministério Público, que contestava os critérios da eleição. Coma as Federações tendo peso três. Enquanto as equipes da Série A, peso dois e as da Série B, peso um. Ou seja, o presidente é o escolhido pelas 27 federações.
O plano é deixar, a médio prazo, a CBF só com a Seleção.
Enquanto a Liga dos Clubes cuidando dos torneios nacionais. Como Brasileiro e Copa do Brasil.
Enquanto Ednaldo conseguiu o domínio do futebol deste país, os clubes, sozinhos, seguem se desentendendo.
Houve várias conversas desde o início do ano. Reuniões extraoficiais, conversas ‘setorizadas’.
E hoje, que deveria ser o dia de demonstração de união e apresentação da ‘Libra’, Liga dos Clubes Brasileiros, se transformou em enorme discussão.
Demonstração de ganância.
E falta de parceria entre os dirigentes.
A acusação é que Flamengo, Palmeiras, São Paulo, Corinthians, Santos e Red Bull Bragantino já chegaram ‘mancomunados’ ao encontro em um hotel cinco estrelas em São Paulo.
Ou seja, havia total concordância entre eles em relação à partilha do dinheiro que a BTG Pactual garantirá à Liga por ano. Nada menos do que um bilhão de dólares, cerca R$ 5 bilhões, por ano.
Mas a guerra eclodiu quando os ‘mancomunados’, anunciaram que desejavam a divisão do dinheiro da seguinte maneira. 40% de forma igualitária, 30% por premiação e os outros 30% no ‘engajamento’. Ou seja na torcida e ações que demonstrem a popularidade do clube.
O dirigente que comanda o Athletico, Mauro Celso Petraglia, fez um escândalo na reunião. Declarou que não sabia que o encontro seria para oficializar a Liga. Disse acreditar ser um encontro apenas para definições, tirar as dúvidas sobre o projeto.
E foi além.
“Para eles (os seis clubes da Série A), a Liga está criada, mas não existe Liga de seis clubes. O Athletico ouvirá o seu Conselho antes de assinar. Queremos que seja mais justo, e não que o Flamengo receba 70 vezes mais que o Athletico em pay-per-view. 70 vezes na mesma competição. Que joguem sozinhos. O Flamengo e o Corinthians joguem entre eles”, ironizava Petraglia.
Só que, além disso, ele e mais os restantes presidentes dos clubes da Série A querem outra divisão.
50% do dinheiro repartidos de forma democrática. 25% para os campeões. E 25% pelo ‘engajamento’.
Dessa maneira, por exemplo, o primeiro colocado no Brasileiro receberia quatro mais que o último. Na divisão proposta pelos ‘mancomunados’, o vencedor do Brasileiro ganharia até seis vezes mais do que o último.
Além disso, os seis clubes querem pagar ‘apenas’ 15% do montante para os clubes da Série B. Os dirigentes da Segunda Divisão querem 20%.
Os seis clubes da Série A e mais Grêmio, Cruzeiro e Ponte, da Segunda Divisão, assinaram a proposta criando a Liga. Ou melhor, a Libra.
Só que haverá novos encontros.
Ainda há muita divergência.
O único acordo é que o nome da Liga, que ela realmente vingar, será Libra.
No resto, a briga ficou assim.
Para resumir a série A.
Seis clubes de um lado.
E 14 equipes do outro…
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