Açores. Chega disponível para "construir uma solução" governativa

Açores. Chega disponível para "construir uma solução" governativa

“José Manuel Bolieiro é que tem de definir o que é que quer. Se ele quer forçar eleições, José Manuel Bolieiro vai ter de dizer isto claramente ao povo açoriano: que quer eleições. Nós, da nossa parte, temos dito que estamos aqui para o diálogo, para construir uma solução”, disse hoje José Pacheco à agência Lusa.

O líder do Chega açoriano falava após o presidente do PS/Açores, Vasco Cordeiro, ter anunciado que o partido vai votar contra o Programa do Governo da coligação PSD/CDS-PP/PPM, que venceu no domingo as eleições regionais sem maioria absoluta.

“Há política nacional a mais e Açores a menos na gestão que a coligação PSD/CDS-PP/PPM e Chega estão a fazer da situação resultante das eleições de 04 de fevereiro. Também por isso há a necessidade de tornar clara a posição política que o PS/Açores assume face ao Programa do XIV Governo Regional, porque fazê-lo já é um sinal claro de respeito pela autonomia dos Açores, mas, não menos importante, a reafirmação evidente da autonomia de decisão do PS/Açores”, afirmou o líder do PS/Açores, em conferência de imprensa em Ponta Delgada.

A decisão foi tomada por unanimidade na reunião do Secretariado Regional e na reunião da Comissão Regional, órgão máximo entre congressos, realizadas na quinta-feira, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel.

A decisão do PS não surpreende o líder do Chega/Açores, por considerar que, neste momento, “é um partido em declínio” e “está um bocadinho à nora, depois da derrota que sofreu”.

José Pacheco considera que “a bola” está agora do lado dos partidos da coligação PSD/CDS-PP/PPM, que “vão ter que assumir” a sua posição.

“O PS já assumiu a sua posição e a coligação vai ter que assumir a sua. Quer eleições ou não quer? Quer estagnar os Açores mais seis meses ou não quer?”, referiu.

Na sua opinião, o líder do PSD e atual presidente do Governo Regional, José Manuel Bolieiro, “vai ter que assumir essa responsabilidade e não vai brincar à democracia, atirando as culpas para cima de outros”.

José Pacheco reafirmou que o Chega está disponível para assumir a responsabilidade “que o povo lhe deu nas urnas” no ato eleitoral de domingo passado.

“O povo disse que a coligação não tinha uma maioria e disse ao Chega: vocês têm aqui cinco deputados para fazerem o vosso trabalho dentro da governação, de fiscalização e de pôr os Açores a andar para a frente. Se alguém quiser contrariar isso, vai ter que assumir esta responsabilidade”, rematou, vincando que o partido continua interessado “em fazer parte de uma solução”.

Nas eleições regionais de domingo, PSD/CDS-PP/PPM elegeram 26 deputados, ficando a três da maioria absoluta.

José Manuel Bolieiro, líder da coligação de direita, no poder no arquipélago desde 2020, disse que irá governar com uma maioria relativa nos próximos quatro anos.

O PS é a segunda força no arquipélago, com 23 mandatos, seguido pelo Chega, com cinco mandatos. BE, IL e PAN elegeram um deputado regional cada, completando os 57 eleitos.

Leia Também: “Decisão do PS/Açores é a de voto contra” programa de governo de Bolieiro

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