Suspeito do massacre de Bucha nega participação em barbárie

Sergey Kolotsey foi flagrado por câmeras enviando mercadorias supostamente saqueadas

Sergey Kolotsey foi flagrado por câmeras enviando mercadorias supostamente saqueadas Reprodução Twitter/Serhii Sieliedievskyi

O cidadão Sergey Kolotsey, identificado pelas autoridades ucranianas como um dos possíveis autores de crimes de guerra em Bucha, negou nesta segunda-feira (2) seu envolvimento nos massacres na cidade localizada próxima a Kiev e assegurou que não serve ao Exército russo.

“Eu não sirvo na Guarda Nacional Russa, estão loucos?”, disse o homem, em uma declaração ao canal do Telegram Mozhem obiasnit, criado do projeto de investigação Open Media, bloqueado na Rússia no ano passado.

De acordo com o Ministério Público ucraniano, Kolotsey é um comandante da Guarda Nacional Russa, que supostamente matou quatro homens desarmados e torturou outro civil.

Kiev explicou que o suspeito havia sido capturado por câmeras de segurança enviando mercadorias saqueadas para a cidade russa de Ulyanovsk, no oeste do país.

As imagens registradas após a saída do Exército russo de Bucha repercutiram em todo o mundo, mostrando os corpos de dezenas de civis, muitos deles algemados, que estavam abandonados nas ruas há dias.

Kolotsey disse a jornalistas russos que vive em Belarus, não tem cidadania russa e não põe os pés na Ucrânia há muito tempo.

O bielorrusso confirma que esteve de fato no escritório de uma companhia de navegação onde as câmeras de segurança o gravaram, mas insiste que não tem qualquer relação com os militares que também estiveram no local.

“É um posto dos correios onde qualquer um pode enviar um pacote para quem quiser ou para onde quiser”, se defendeu.

Após a divulgação do nome do primeiro suspeito dos massacres em Bucha, a mídia independente bielorrussa Zerkalo, que surgiu após o encerramento das atividades do portal Tut.by, conversou com muitos amigos e parentes de Kolotsey.

Zerkalo afirma que o homem das imagens ucranianas é de fato Kolotsey, natural da cidade de Mazyr, em Belarus, que fica a uma hora da fronteira com a Ucrânia. Ele tem 35 anos de idade e viveu toda a vida naquela cidade, onde trabalha como engenheiro em uma fábrica.

Kolotsey esteve em sua cidade natal durante a campanha militar russa na Ucrânia, de acordo com testemunhas, que disseram a repórteres que o viam constantemente a caminho do trabalho ou caminhando com a criança.

De acordo com pessoas próximas ao bielorrusso, ele nunca serviu no Exército, nem russo nem de Belarus, e não tem relação com os órgãos de segurança desses dois países.

 

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