Secretário de Defesa dos EUA defende que Forças Armadas devem ser controladas por civis

Lloyd Austin, secretário de Defesa dos EUA

Lloyd Austin, secretário de Defesa dos EUA Departamento de Defesa dos EUA/Reprodução

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Lloyd Austin, disse nesta terça-feira (26) que as Forças Armadas devem trabalhar sob “controle firme de civis”. A fala ocorreu durante a 15ª Conferência de Ministros da Defesa das Américas, em Brasília.

“Acreditamos que todo o hemisfério Sul pode ser seguro próspero e democrático. Uma dissuasão integrada significa trabalhar em uma rede de parceiros, que as Forças estejam sempre prontas, sob controle firme de civis e que os ministros sirvam de forma transparente e sem corrupção”, disse. Austin também falou que a região vive um “momento complexo de segurança” e que é necessário “espírito renovado de compromisso com a democracia, símbolo das Américas”. 

Embora os comentários em defesa da democracia não tenham sido direcionados ao Brasil, chamam atenção por causa dos recentes episódios envolvendo o presidente Jair Bolsonaro (PL) e as Forças Armadas. No discurso do lançamento de sua candidatura à reeleição, o chefe do Executivo disse que “o Exército está do nosso lado”.

Os militares brasileiros que participam da conferência, no entanto, mantêm falas mais pacificadoras. O chefe de Educação e Cultura do Ministério da Defesa, tenente-brigadeiro do ar, Luís Roberto do Carmo Lourenço, usou o tempo de discurso na conferência para destacar que as Forças Armadas têm o papel constitucional de preservar a democracia.

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“Acreditamos e reconhecemos que nossas Forças de Segurança têm como papel a soberania nacional e defesa constitucional. Não devemos deixar de lado as soluções pacíficas, de forma a garantir a segurança no nosso hemisfério e a defesa regional”, comentou.

Mais cedo, o ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, também havia defendido os valores da Carta Democrática Interamericana. Isso apesar de ter levantado dúvidas sobre a segurança do processo eleitoral brasileiro e dizer que “não há programa  imune a ataques”, em referência às urnas eletrônicas.

“Da parte do Brasil, manifesto respeito à carta da organização dos estados americanos, OEA, e a carta democrática americana, e seus valores, princípios e mecanismos”, afirmou o ministro. O documento determina que a democracia deve ser a forma de governo de todos os países das Américas.

Democracia

Representações de outros países também levantaram a bandeira do fortalecimento da democracia na região. O ministro da Defesa da Colômbia, Diego Molano, disse que é o momento de manter as instituições forte nas Américas. “A maioria dos países do continente são democráticos e não podemos permitir avançar as ameaças a paz e segurança dos nossos países”, disse.

No final do evento, em 28 de julho, está prevista a assinatura da Declaração de Brasília. Entre outros assuntos, o documento declara compromisso com a promoção da paz, preocupação com fluxos migratórios, com a preservação ambiental, com a discussão das áreas de ciberdefesa e ciberespaço, contenção da pandemia de Covid-19 e com o reconhecimento da contribuição feminina nos assuntos de defesa e segurança.

Cibeesegurança preocupa ministros

A cibersegurança é outro tema que desperta preocupação das representações de defesa. Raymond King’s, comandante da Defesa de Bahamas, destacou os esforços para impedir o avanço de ataques cibernéticos, que “ameaçam profundamente a sociedade”. “Estamos muito interessados em organizar nossas redes contra as ameaças que trazem instabilidade socioeconômica. Estamos reforçando esses desafios de segurança”, comentou.

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