Saiba o que fazer ao ser mordido por um cachorro ou gato

Felipe Simas e sua família

Felipe Simas e sua família Reprodução/Instagram

Recentemente, o ator Felipe Simas causou comoção nas redes ao contar que Vicente, seu filho caçula de apenas dois anos, foi mordido no rosto por um cachorro. Mesmo que a criança tenha sofrido apenas ferimentos leves, os primeiros cuidados imediatamente após o acidente são indispensáveis.

A pediatra Carolina Peev, do Sabará Hospital Infantil, explica que é importante lavar o local dos ferimentos com sabão e água abundante. “Os cuidados vão depender se esse animal é conhecido da família. Então se o cachorro ou gato vive dentro de casa, a primeira coisa é fazer a higienização. Se for numa região de olho e de boca, lábio interno, não vai esfregar com uma força tão grande”.

Caso a mordida tenha sido na região ocular, atingindo a pálpebra e parte do globo ocular, o recomendado é procurar imediatamente um pronto-socorro especializado em olhos porque, segundo a especialista, as lesões causadas na córnea podem ser de extrema gravidade, o que demanda o atendimento especializado de forma emergencial.

Vale destacar, no entanto, que mordidas em regiões como cabeça, pescoço, mãos, polpas digitais e planta do pé são consideradas de maior gravidade, mesmo que o ferimento seja leve. Nesses casos, é importante procurar o atendimento médico e iniciar o tratamento com a vacina antirrábica – a dosagem vai depender do estado de saúde do animal.

Além dos primeiros cuidados, é necessário acompanhar o comportamento do gato ou cachorro por pelo menos 10 dias após a mordida. Isso porque, caso o aniaml não seja vacinado contra raiva ou esteja com o vírus em ação no corpo, os cuidados com os ferimentos precisam ser redobrados, chegando a ser necessário a administração de até cinco doses do imunizante na pessoa ferida, além do soro antirrábico.

“Se for um animal da rua, tem que seguir o protocolo do Ministério da Saúde de risco de raiva. É importante observar se o cachorro ou gato está sadio, mas se o animal sumir ou morrer, ou a pessoa não tiver como acompanhá-lo, precisa ir ao posto de saúde. São unidades de saúde pública que tem o antirrábico, hospitais privados não tem esse tipo de vacina”, explica Carolina.

Caso a mordida seja nas mãos, nos pés ou na face, é necessário fazer o tratamento antirrábico imediatamente, mesmo se o animal estiver em bom estado de saúde. Se a lesão for de maior gravidade, o soro antirrábico também é necessário.

“Eventualmente, se a mordida for muito profunda, pode infeccionar porque a boca do cachorro e do gato tem algumas bactérias. Mesmo que a ferida seja pequena, mas evolui com vermelhidão, com dor na região, sai algum tipo de secreção ou a região fica aquecida, precisa também de avaliação médica para uso de antibióticos ou, em alguns casos, internação por conta de lesões extensas infectadas”, explica a pediatra.

Segundo o Ministério da Saúde, apenas dois casos de raiva humana foram diagnosticados este ano no Brasil. Os principais sintomas da doença, seja em crianças ou adultos, são: febre, mal-estar, perda de apetite e dor muscular; conforme a doença evolui, podem ocorrer episódios de irritabilidade, náuseas, movimentos anormais no corpo e doenças neurológicas.

“O vírus [da raiva] age diretamente nas terminações nervosas, por isso os animais ficam espumando e agressivos, e essa parte neurológica [dos sintomas] também acontece com os humanos contaminados”, explica a pediatra.

De acordo com o Manual MSD, em alguns dias após a infecção pelo vírus o paciente também pode sofrer de encefalite, que ocorre em 80% dos casos, ou paralisia.

Como consequência da encefalite, há ocorrência de inquietação, confusão, agitação, comportamento bizarro, alucinações e insônia, além de salivação excessiva e espasmos dos músculos da faringe e da laringe ao tentar ingerir líquidos.

“Não existe um tratamento específico, então usamos sintomáticos, o soro e acompanhamos como vai ser a evolução do paciente. É importante manter em dia a vacinação antirrábica dos animais [que estão no nosso entorno], porque vaciná-los é a nossa principal proteção, impede que eles fiquem doentes e transmitam o vírus para os humanos”, destaca a pediatra.

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