Novos projetos em Sines "reduzem emissões" em 900 mil toneladas por ano

“São dois grandes investimentos junto à refinaria de Sines, um de hidrogénio, e outro de HVO [óleo vegetal hidratado], ou seja, óleos vegetais que vamos transformar em combustíveis”, disse Filipe Silva à Lusa, no dia em que a petrolífera portuguesa anunciou ao mercado a Decisão Final de Investimento nestes dois projetos.

“São projetos de escala mundial; o de hidrogénio terá 100 megawatts de capacidade de eletrólise, e o projeto de HVO terá uma capacidade de 270 mil toneladas por ano, o que permitirá transformar óleo que tipicamente não é usado, como o de fábricas, em combustível rodoviário e também para aviação”, disse Filipe Silva.

O valor total dos investimentos hoje anunciados é de 650 milhões de euros, sendo que 400 milhões serão alocados ao projeto de HVO, e outros 250 milhões ao projeto de produção de hidrogénio. A Galp assegura 550 milhões do valor, enquanto a Mitsui, parceira no projeto do HVO, com 25%, suportará cerca de 100 milhões.

Questionado sobre o impacto destes projetos nos consumidores e no país, o presidente executivo da Galp respondeu que, “para o consumidor, este projeto significa que, sem se aperceber, vai estar a conduzir um carro que tem uma capacidade de emitir para a atmosfera muito menos emissões do que antes, só com o gasóleo mineral, por exemplo”.

O projeto de transformação de óleos em combustíveis “reduz em 800 mil toneladas por ano as emissões para a atmosfera, e o projeto de hidrogénio reduz em mais de 100 mil toneladas por ano as emissões para a atmosfera, e isto transforma a refinaria de Sines numa refinaria cada vez mais ‘verde'”, vincou o responsável da Galp, salientando que “este projeto industrial de transformação de Sines depende muito destes investimentos”, e que “mais virão seguidamente”.

As obras “começam agora, e no pico da obra teremos 1.500 pessoas na construção, e depois de pronta, no final de 2025, vamos ter mais de 100 pessoas a trabalhar nas unidades industriais”, acrescentou.

Questionado sobre o que mudou desde que a Galp, em maio, considerou o ambiente fiscal como pouco propício para investimentos deste género, Filipe Silva disse ter “esperanças fundadas” sobre alterações fiscais.

“Várias coisas se alteraram, começando logo na regulação europeia, que obriga a certas métricas de descarbonização”, respondeu, acrescentando que “estes investimentos permitem descarbonizar o processo industrial da refinaria de Sines e permitem oferecer aos clientes um produto que emite menos para a atmosfera”.

A regulação europeia que foi saindo já foi parcialmente transposta para a lei portuguesa, e a Galp tem “alguma esperança de que localmente, em Portugal, não haja tributação extraordinária sobre estes investimentos”, já que trabalham “num mercado altamente competitivo, aberto ao mundo, e não há como ter uma refinaria a funcionar neste país com uma carga tributária muito acima” dos concorrentes internacionais, afirmou Filipe Silva.

Sobre a carga fiscal que a empresa enfrenta, o responsável disse que “há uma esperança fundada sobre o que vai acontecer às contribuições extraordinárias em Portugal, já que o Governo disse publicamente que com o fim do défice tarifário, a CESE [contribuição extraordinária sobre o setor energético], também irá acabar e é nessa perspetiva que a Galp está a operar”, concluiu.

A Decisão Final de Investimento hoje anunciada ao mercado segue-se ao aval dado pela Associação Portuguesa do Ambiente, em junho, ao estudo de impacto ambiental destes projetos.

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