São Paulo, Brasil
Rogério Ceni, com a personalidade narcisista que possui, jamais deixaria Abel Ferreira sem resposta, depois de eliminar o Palmeiras do treinador português, da Copa do Brasil, em pleno Allianz Parque.
Abel deixou claro que seu time merecia a classificação às quartas da Copa do Brasil. E que a sorte ajudou o São Paulo. Além de destacar que o São Paulo esteve perdido em campo por conta de sua escalação. Nos primeiros 13 minutos, o Palmeiras vencia o jogo por 2 a 0.
“Foi a segunda vez que tenho sorte contra ele, né? No Flamengo, fomos campeões da Recopa contra ele. Foi sorte também”, ironizou Ceni, relembrando a conquista da Recopa Sul-Americana, em 2021, quando treinava o Flamengo.
O técnico do São Paulo estava especialmente vingado.
A derrota para o Palmeiras, na final do Paulista, por 4 a 0, o deixou extremamente humilhado.
A ponto de não ir à festa da Federação Paulista de Futebol para receber o prêmio de ‘melhor treinador do campeonato’. Teve o bom senso de evitar uma situação mais do que constrangedora.
Embora mantenha boa relação com Abel Ferreira, Ceni sabe o quanto significa a rivalidade entre São Paulo e Palmeiras. E como seu clube precisava da classificação para as quartas. Até como injeção de confiança no Brasileiro, onde ocupa apenas a sétima colocação. E também na Copa Sul-Americana, que terá pela frente o Ceará, nas quartas.
“Acho que no futebol quando se perde o pessoal fala que tem sorte, quando perde é incompetente. Eu vejo que meu time briga por cada palmo do campo. Naqueles primeiros 13 minutos, o Dudu veio pela esquerda, no aquecimento vi que viria diferente. Sabíamos que tinha mudança pela ausência do Rony. A gente tinha que jogar com sobra porque o Dudu no um contra um é muito bom. A gente deixou o Diego muito no mano a mano. A gente tentou uma sobra do lado do Dudu. Depois do gol a gente continuou jogando, isso foi legal.
“Os pênaltis eu coloco o emocional. Acho que de se destacar é o time não desistir do jogo. Talvez a maior virtude do dia de hoje (ontem). Aqui é sempre difícil. Além da bela equipe, o gramado rápido e é um grande time. Talvez o futebol mais envolvente do Brasil”, elogiava, inteligente, Ceni, valorizando o rival derrotado.
“Eles tiveram a chance de definir a partida. Futebol é isso, mas aqui é o São Paulo da Floresta, onde a moeda cai de pé. Hoje eliminamos o atual campeão da América, é um mérito.”
Rogério Ceni citou o Campeonato Paulista de 1943. Na reunião que definiria os jogos finais, um dirigente teria brincado que seria melhor jogar uma moeda para o alto. Se desse cara, o campeão seria o Corinthians. Se desse coroa, seria o Palmeiras. O São Paulo? ‘Só se a moeda caísse em pé’, teria brincado. E o São Paulo surpreendeu, ganhando o título. Daí a origem da história da ‘moeda em pé’, relacionada ao clube do Morumbi.
Mas Ceni tinha mais do que comemorar a eliminação do Palmeiras.
Ele teve seu contrato prorrogado, com poderes de manager. Ou seja, tudo o que acontecerá no futebol do São Paulo até o final de 2023 deverá ter sua aprovação.
“Eu fico feliz da continuidade, um clube que gosto de trabalhar, um clube que vivi a vida toda, sei de todas as dificuldades. Não chegaram todos os jogadores que a gente queria, mas fico feliz com o que estão dando para a gente. Gosto de trabalhar com a base. Um clube que tem muitos juros para pagar e cada venda da base paga os juros. Eu trabalhei minha vida toda aqui, gosto de desafios, agradeço o presidente a confiança. É bom para ele também.
“Eu penso no próximo jogo, estamos em três competições. Acho, sinceramente difícil a gente ter elenco para isso. Acho bem difícil levar o São Paulo a títulos. Mas brigar, pelo jogo de hoje, a gente vai tentar fazer o São Paulo competitivo e voltar a estar lá na frente.”
Ceni sempre soube como valorizar seu trabalho.
Desde os tempos de jogador.
E maior ídolo da história do São Paulo.
O clube da ‘moeda em pé’, como provou mais uma vez no Allianz Parque.
Eliminando o eterno rival Palmeiras…

