La Chica, a artista que se confessa "perdida" entre Venezuela e França

Filha de mãe venezuelana e pai francês, a artista, que cresceu entre Belleville, bairro multicultural de Paris, e a cidade de Mérida, no oeste da Venezuela, confessa estar “muito triste” com a atual situação em França.

“Já vivi a destruição do meu primeiro país, a Venezuela, e agora vejo o meu segundo país cair no nada. Causa-me muita tristeza, é muito absurdo”, lamenta, referindo-se aos violentos distúrbios que eclodiram em França, após a morte de Nahel, um jovem menor, pela polícia, quando tentava escapar de um controlo de trânsito.

O caso desencadeou uma onda de protestos violentos em França, que resultaram em milhares de detenções e na mobilização de um forte dispostivo de segurança para as ruas.

O agente da polícia suspeito da morte do jovem, acusado de homicídio, foi detido e está em prisão preventiva.

La Chica não acha que o caso “seja algo específico de França, mas que se está a passar na Europa, atualmente, que é muito violento”, comentando que não entende “a direção” atual do mundo.

“Há muito ódio e pouca tolerância. Não entendo. Sinto-me perdida”, desabafa.

Sophie Fustec não vai “há quase nove anos” à Venezuela, de onde “90 por cento” da sua família fugiu, rumando a outros países.

“Já não tenho nenhuma referência ali. Antes tinha família em cada cidade da Venezuela. E agora não é o caso. Quando chegar o momento de regressar, não saberei onde ir, como fazer. Mas tenho de voltar, sinto necessidade de me reconectar com a minha terra, é vital”, reconhece.

Em entrevista à agência Lusa, após o concerto, La Chica estava “noutra dimensão” e sentia ter mudado de planeta, com a ajuda do “público precioso e atento” do Músicas do Mundo.

Uma das coisas que quis destacar foi que “a maioria dos festivais não programa tantas mulheres” como as que fazem parte da programação do FMM, numa altura em que a indústria da música ainda é “obviamente muito machista”.

“Falta fazer muito para mudar as coisas, mas sinto que as mulheres estão no caminho para gerar mudança”, acredita.

Em Porto Covo teve ainda “a oportunidade” de “descobrir bandas extremamente diferentes” e “muito longe de qualquer coisa” que já tenha escutado.

“Parece-me muito importante, hoje em dia, neste planeta, escutar tudo o que se passa à nossa volta e não só no nosso próprio país”, sublinhou a artista, considerando o conceito de músicas do mundo “bastante interessante” e “muito aberto”.

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