Indicado para presidência da Petrobras é suspeito de acesso indevido a dados fiscais

Caio Paes de Andrade é indicado para assumir presidência da Petrobras

Caio Paes de Andrade é indicado para assumir presidência da Petrobras Serpro / Divulgação 07-2020

Indicado para assumir a presidência da Petrobras no lugar do químico José Mauro Ferreira Coelho, Caio Paes de Andrade é suspeito de usar os sistemas do Ministério da Economia para checar, junto à Serasa, a situação cadastral de consultoria concorrente da empresa que é controlada pela ex-esposa dele. Ele nega que seja o autor da pesquisa. 

A Conclusiva Consultoria trava uma disputa judicial contra a HSL, empresa de investimentos do grupo Captalys, cuja principal executiva e cocontroladora, a empresária Margot Alyse Greenman, foi esposa de Andrade de 2012 até o ano passado.

A suspeita levantada em ação judicial pela Conclusiva é de que Caio Andrade teria utilizado o sistema do Ministério da Economia para pesquisar dados da empresa concorrente da Captalys. 

O processo corre no Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Em 5 de maio, a Justiça autorizou a produção antecipada de provas a pedido da Conclusiva para investigar se Andrade foi o responsável pela consulta.

O R7 questionou o Ministério da Economia sobre o caso. O espaço segue aberto para manifestação. Andrade nega tera acessado o sistema da Serasa para fazer qualquer tipo de consulta e ter feito esse pedido a terceiros. 

Ligado ao Planalto

Andrade, que é secretário de desburocratização do Ministério da Economia, foi indicado para a presidência da Petrobras nesta segunda-feira. Ele é visto como leal a Bolsonaro, alguém que poderia aceitar mudanças desejadas pelo presidente na política de preços dos combustíveis. O governo avalia que os constantes aumentos em ano eleitoral nos valores do litro da gasolina e do diesel são um entrave para o projeto de reeleição de Bolsonaro.

Caio ganhou espaço no governo ao atuar na digitalização de serviços reunidos no sistema Gov.br. Ele não tem experiência na área de petróleo e gás, o que vai contra um dos itens da Política de Indicação de Membros da Alta Administração do Conselho Fiscal da empresa.

Andrade é formado em Comunicação Social pela Universidade Paulista e é pós-graduado em administração e gestão pela Universidade de Harvard e mestre em administração de empresas pela Duke University.

O executivo é também fundador e conselheiro do Instituto Fazer Acontecer. Além disso, foi presidente do SERPRO até agosto de 2020, quando passou a ser responsável pela Plataforma GOV.BR. Andrade é também membro do Conselho de Administração da EMBRAPA e da PPSA.

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