Governo cobra R$ 29 milhões de réus da Chacina de Unaí (MG)

Processo movido pela AGU está na fase inicial

Processo movido pela AGU está na fase inicial Divulgação / AGU

O Governo Federal tenta, desde 2019, ser ressarcido pelas indenizações e pensões que precisou pagar às famílias dos quatro servidores mortos na Chacina de Unaí, a 590 km de Belo Horizonte, em janeiro de 2004. A ação cobra dos sete réus R$ 29 milhões.

No processo, a União explica que o valor é referente à indenização de R$ 200 mil por vítima e à pensão destinadas aos dependentes, já que os trabalhadores morreram no exercício de suas funções.

No início do processo, o governo pediu que a Justiça bloqueasse R$ 29 milhões nas contas dos acusados, como garantia de eventual condenação. Na época, contudo, o juiz Wagmar Roberto Silva, da Vara Federal Cível e Criminal da Justiça Federal em Unaí, negou o pedido. Agora, o caso segue em análise na Justiça.

O magistrado argumentou que a solicitação foi feita 15 anos após o crime e que, no decorrer do prazo, não foi identificada redução no patrimônio dos réus. Silva também questionou os valores cobrados pela União, já que as indenização citadas pelo governo eram referentes a duas leis – uma de 2006 e outra de 1990. Para o juiz, a determinação de 2006 não poderia ser levada em consideração, já que o benefício foi criado após o crime.

Leia também: Veja como estão os réus na chacina 18 anos após o caso

“Os fatos narrados na denúncia datam de 15 (quinze) anos e não há notícia de que tenha havido diminuição patrimonial dos recorridos neste período, pelo que não vejo urgência em proceder a constrição dos bens em caráter liminar”, escreveu o magistrado.

Procurada pela reportagem, a AGU (Advocacia-Geral da União) reforçou que “o processo ainda está na fase de citação dos réus para apresentarem defesa, não tendo o Juízo proferido sentença” definitiva. A reportagem tenta contato com a defesa dos denunciados.

A Chacina de Unaí

O caso voltou à tona nesta semana após a Justiça Federal começar a julgar novamente o fazendeiro Antério Mânica, acusado de ser um dos mandantes do crime. Ele chegou a ser condenado a 100 anos de prisão, em 2015, mas três anos depois o júri foi anulado. O julgamento entrou para o segundo dia e não tem data para acabar.

O crime aconteceu na zona rural da cidade. As vítimas foram os fiscais do Trabalho Eratóstenes de Almeida Gonçalves, João Batista Soares Lage e Nelson José da Silva, além do motorista deles, Ailton Pereira de Oliveira.

O grupo fazia uma fiscalização na região, onde havia denúncias de exploração de trabalhadores. Segundo a denúncia do MPF (Ministério Público Federal), o alvo seria somente um dos fiscais, mas todos os presentes no local foram mortos.

 

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