São Paulo, Brasil
Uma das mais incríveis viradas dos últimos tempos.
O Atlético Mineiro dominava, fazia o que queria com o Corinthians.
Mas só havia conseguido marca um gol, no Mineirão, de Keno.
Aos 34 minutos da segunda etapa, depois de um enorme sufoco, com ótima atuação do jovem goleiro Carlos Miguel, tudo mudaria.
Fagner fez excelente cruzamento para excepcional e, inesperada, cabeçada de Fábio Santos. 1 a 1.
Cinco minutos depois, a incrível virada corintiana.
Com o Atlético completamente adiantado, o jovem Giovane encarou com toda personalidade a zaga mineira. E só foi parado graças a uma joelhada do argentino Junior Alonso.
O inseguro árbitro Ramon Abatti Abel não teve convicção para marcar. Mas foi chamado pelo VAR e vendo o lance por 14 vezes acabou marcando o pênalti obrigatório.
Aos 36 anos, Fábio Santos não tremeu.
E bateu sem chance para Everson, aos 39 minutos.
Em 27 pênaltis cobrados, esse foi o 25º convertido pelo lateral.
Em cinco minutos, uma virada inesquecível do Corinthians, que garantiu a segunda colocação ao final do primeiro turno. A apenas quatro pontos do líder Palmeiras.
Cuca terá muito trabalho no seu retorno à Cidade do Galo.
O elenco milionário se mostra perdido, desde que o treinador deixou o clube há sete meses. Turco Mohamed não conseguiu montar um time confiável. Não seria o interino Lucas Gonçalves que conseguiria hoje, diante da traiçoeira equipe de Vítor Pereira.
O Atlético Mineiro está a sete pontos do líder Palmeiras.
“A gente tem um time muito competitivo, precisamos machucar mais o adversário e ter mais alternativas do meio para frente. Estamos competindo bem, a equipe sabe jogar jogos grandes e isso é importante para a sequência que teremos.
“Tenho vivido uma grande temporada, dê um tempo para cá fiquei ainda mais profissional. Estou muito satisfeito pela minha temporada, não só por mim, mas pela temporada e pelo grupo. Foi uma noite mágica, que vai ficar marcada na minha carreira”, dizia, empolgado, Fábio Santos.
Vítor Pereira sabia que enfrentaria o Atlético Mineiro mais do que empolgado, no Mineirão. A contratação de Cuca, depois da confusa passagem do argentino Turco Mohamed, mudou o astral não só do clube, como da própria apaixonada torcida que, outra vez, lotou o Mineirão.
O interino Lucas Gonçalves se deixou contaminar pelo clima da diretoria, da imprensa, dos jogadores atleticanos. E tratou de montar uma estratégia francamente ofensiva. Com seu time marcando sob pressão a saída de bola corintiana. Encurralando, não deixando respirar o tradicional adversário.
O Atlético entrou em campo no 4-2-2-2, com muita liberdade, principalmente, para o lateral esquerdo Guilherme Arana. O time era ótimo com a posse de bola, mas sem ela, deixava muito espaço. O que não era explorado pelo Corinthians, graças à maneira com que foi montado. O português Vítor Pereira ‘caprichou’.
Colocou o time no 5-4-1. Ou seja a última linha defensiva tinha cinco jogadores fixos. A segunda, a das intermediárias, muito recuada. E até o isolado Yuri Alberto tinha de voltar. Muitas vezes, o Corinthians não tinha nenhum jogador no ataque. O 5-5-0 previsto por Carlos Alberto Parreira na Copa do Mundo de 2006.
O Atlético Mineiro mesmo com pouco espaço e sem movimentação e dinâmica adequadas, criava chances. Porque o potencial ofensivo de seus jogadores é muito grande.
E logo aos oito minutos, Keno deu a falsa impressão de uma vitória fácil. O atacante mostrou todo seu talento para bater na bola, de fora da área, encobriu Carlos Miguel. Mesmo se o goleiro tivesse três metros não conseguiria defender. O chute foi alto, colocado milimetricamente, no ângulo esquerdo.
Golaço do Atlético que fez o Mineirão tremer.
O Corinthians seguiu seu plano tático. Vítor Pereira percebia a confiança, a vibração do adversário. Mas sabia que não tinha como reagir, comprar a briga de forma escancarada. E segurou sua equipe para atuar de forma traiçoeira.
Foi um grande sufoco. Os veteranos Giuliano e Willian não suportavam o ritmo intenso do jogo. O trabalho dos dois não foi bom. Fisicamente não conseguiam acompanhar a marcação. Parte do grande sofrimento corintiano foi pela fraca marcação da dupla.
Além de muito marcado, Hulk insistia em cometer o velho pecado da reclamação. Em vez de se preocupar com o lance que está disputando, buscar melhor movimentação, ele decidiu que esse ano sua grande missão em campo passou a ser pressionar árbitros. O que é uma grande bobagem, desperdício de seu potencial ofensivo.
Cuca precisa dar um jeito em Hulk. Porque tudo o que ele está conseguindo é enervar a equipe atleticana e ganhar a antipatia dos árbitros não só no Brasil, mas na América do Sul, por conta da Libertadores. Ser capitão do Atlético está sendo péssimo para o artilheiro.

