Filme paraibano resgata história do Cine Minerva, em Areia

Cine Minerva

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Cine Theatro Minerva, em Areia (Foto: Divulgação)

O documentário de curta-metragem “Areia, Memória e Cinema”, dirigido por Letícia Damasceno Barreto, remonta os primórdios do Cine Minerva, no município de Areia, no brejo paraibano. As filmagens estão previstas para acontecer na segunda semana de junho.

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A produção resgata memórias do período em que Gutemberg Barreto, avô de Letícia, foi o primeiro projecionista do cinema. O filme capta depoimentos de antigos moradores do município com objetivo de registrar e resgatar memórias afetivas sobre o antigo cinema da cidade.

“Considero a fala dos moradores de Areia extremamente importante para o filme, tanto para entender um pouco do que representou o cinema para essas pessoas nos anos em que ele esteve ativo quanto para, a partir dessas memórias, tentar buscar rastros da experiência do meu avô enquanto cinematógrafo na cidade”, detalhou Letícia.

Paixão pelo cinema e fim trágico

Gutemberg Barreto atuou como primeiro projecionista do Cine Theatro Minerva, entre 1920 e 1930. Em 1932, se mudou com a esposa para Niterói, município vizinho ao Rio de Janeiro, então capital federal. Na cidade maravilhosa, manteve sua ligação e paixão pela Sétima Arte: todas as terças-feiras ia ao Cine Odeon, na Cinelândia, para acompanhar exibições de filmes.

Ele atravessava a balsa que ia de Niterói para o Rio junto de esposa, Dona Edite, deixava ela à porta do Convento de Santo Antônio, onde ela assistia a missa e ia direto para o Cine Odeon, distante poucos metros, na região central carioca. Numa terça-feira como tantas outras com essa programação, algo saiu diferente: Gutemberg estava sentado imóvel em sua poltrona e uma funcionária tentou acordá-lo: em vão, o projecionista não estava dormindo, havia morrido durante a sessão de cinema.

É a partir desse evento trágico e da trajetória do avô com o cinema que a cineasta, professora do curso de Dança da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), constrói o argumento do filme.

“O argumento [do filme] se deu a partir da lacuna, da indagação e do desejo de conhecer melhor a sua história [do avô] tão particular na tentativa de me aproximar do seu universo ligado a arte e ao cinema”, pontuou Letícia.

“Saber que meu avô faleceu dentro do cinema, algo pelo qual ele era apaixonado e eu tinha apenas 2 anos de idade, me suscitou a curiosidade de adentrar nessa estória, me fez desejar reconstruir, recriar e narrar de forma afetiva esse acontecimento, me trazendo desse modo a sensação de pertencimento”, complementou a cineasta.

Campanha de financiamento

O curta de documentário é uma obra independente, sem patrocínio ou subsídio de editais. Para viabilizar o projeto, foi lançada uma campanha de financiamento coletivo (clique aqui para ajudar) para arrecadar parte do valor dos custos produção.

Também é possível colaborar com qualquer valor pela chave PIX – CPF: 703.641.257-72 (Letícia Damasceno Barreto).

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