Entenda o que é a taxa Selic e como ela afeta o seu bolso

Taxa de juros mais alta diminui consumo e aumenta rendimento de aplicações

Taxa de juros mais alta diminui consumo e aumenta rendimento de aplicações
Marcello Casal jr/Agência Brasil

A taxa Selic é a taxa de juros básica da economia brasileira, por isso afeta a todos, independentemente se tem ganha muito ou pouco dinheiro. Ela é o instrumento que o governo usa para controlar a inflação.

Essa taxa também é importante porque ela influencia todas as taxas de juros do país.

Ou seja, quem vai entrar no cheque especial, não vai conseguir pagar a fatura do cartão de crédito, vai pedir dinheiro emprestado ou quer financiar a compra de um carro ou uma casa tem que se preocupar bastante com esta taxa Selic. E também quem está conseguindo economizar e quer investir um dinheirinho.

Como a inflação tem subido sem trégua, o Banco Central tem recorrido ao aumento da taxa de juros para tentar colocar um freio no aumento de preços.

Nesta quarta-feira (4), o Banco Central aumentou a taxa pela décima vez seguida, passando de 11,75% ao ano para 12,75% ao ano.

Taxa de juros em alta, crédito mais caro na praça

Suponha que você ficou sem dinheiro para pagar uns boletos. Quando você vai pegar dinheiro emprestado, seja de um banco ou de um amigo, você sabe que terá de pagar uma determinada taxa de juros.

Como a taxa Selic é a taxa básica de juros da economia, se ela sobe, todas as demais taxas cobradas para empréstimos sobem também, já que os bancos vão ter de pagar mais para pegar dinheiro emprestado e, por consequência, também vão cobrar mais de quem pedir empréstimo.

 

 

 

Entenda os efeitos da taxa Selic em alta

 

 

 

No crédito:

Quando a taxa Selic sobe, a tendência é que os juros cobrados pelos bancos para emprestar dinheiro para consumidor e empresas também aumente, o que faz com que diminua a oferta de crédito.

Nas aplicações financeiras:

O rendimento das aplicações de renda fixa, como poupança, Tesouro Selic, LCI, CDB e fundos de renda fixa, também aumenta. Ou seja, o investidor ganha mais dinheiro para cada real que colocar nessas aplicações.

Como fica mais “fácil” ganhar dinheiro investindo em renda fixa, os investidores não precisam tomar tanto risco para ver seu capital crescer, e, com isso, pode desestimular investimentos na economia real como as empresas, seja na criação delas, seja no investimento em ações de empresas que estão listadas na Bolsa de Valores.

No consumo:

Como o custo do dinheiro fica mais caro, a tendência é que as pessoas gastem menos em compras e serviços.

Na inflação:

Se o consumo diminui, isso pode ajudar a conter a inflação, já que as pessoas estão gastando menos.

E quando a Selic cai?

No crédito:

Quando a taxa Selic cai, a tendência é que os juros cobrados pelos bancos para emprestar dinheiro para o consumidor e empresas fique menor, o que faz com que pessoas e empresas busquem mais crédito para consumir e também para investir em máquinas, equipamentos e crescimento das empresas.

Nas aplicações financeiras:

O rendimento das aplicações de renda fixa fica menor, e o investidor passa a ter de tomar mais risco para remunerar mais seu capital. Com isso, pode acontecer uma procura maior por ações na Bolsa e também por investimentos mais arrojados como fundos imobiliários e fundos multimercados, além de investimentos de renda fixa que tenham mais risco, como debêntures. Alguns também podem querer abrir seus próprios empreendimentos.

Consumo:

Como fica mais barato pegar dinheiro emprestado e a rentabilidade dos investimentos é menor, há uma tendência a aumentar o consumo.

Inflação:

Se o consumo aumentar demais, pode fazer com que a inflação também suba.

Como é apurada a taxa Selic?

A taxa Selic é apurada nas operações de empréstimos de um dia entre as instituições financeiras que utilizam títulos públicos federais como garantia. O Banco Central explica que opera no mercado de títulos públicos para que a taxa Selic efetiva esteja em linha com a meta da Selic definida na reunião do Comitê de Política Monetária do BC (Copom).

Fonte: Banco Central

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