Em conversa com os EUA, Turquia diminui o tom sobre veto à Finlândia e Suécia na Otan

Mevlüt Çavusoglu (à esq.) e Antony Blinken (à dir.) em encontro oficial nos Estados Unidos

Mevlüt Çavusoglu (à esq.) e Antony Blinken (à dir.) em encontro oficial nos Estados Unidos Eduardo Munoz/Pool/Reuters – 18.5.2022

O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Mevlüt Çavusoglu, reiterou nesta quarta-feira (18) ao alto funcionário norte-americano Antony Blinken as objeções turcas à entrada da Finlândia e da Suécia na Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), mas mostrou-se disposto a continuar discutindo o assunto com os demais aliados.

Çavusoglu, que se reuniu com Blinken na sede da ONU em Nova York, mostrou assim uma posição um pouco mais aberta do que a de seu presidente, Recep Tayyip Erdogan, que hoje insistiu que vetaria a entrada dos dois países na Aliança Atlântica, os quais acusa de apoiar supostos terroristas curdos.

“Entendemos suas preocupações de segurança, mas as preocupações de segurança da Turquia também devem ser abordadas. Esta é uma das questões que devemos continuar discutindo com amigos e aliados, incluindo os EUA”, disse o diplomata turco no início da reunião.

Çavusoglu frisou que a Turquia sempre apoiou a “política de portas abertas” da Otan, mas salientou que o caso da Finlândia e da Suécia representa problemas ao seu país.

“Temos preocupações legítimas de segurança porque eles têm apoiado organizações terroristas e também há restrições à exportação de produtos de Defesa”, explicou.

Embora Blinken não tenha tocado no assunto em suas declarações com o ministro turco, o governo dos EUA se mostrou “seguro” nesta quarta-feira de que os obstáculos serão superados e a Finlândia e a Suécia poderão ingressar na Otan.

“Acho que (as coisas) vão correr bem”, limitou-se a dizer o presidente dos EUA, Joe Biden, quando questionado sobre o assunto por jornalistas.

O governo turco acusa a Finlândia e, especialmente, a Suécia de serem um santuário para “terroristas”, referindo-se tanto a membros do PKK, atuante na Turquia e tachado de “terroristas” pelos EUA e pela União Europeia, como às milícias das Unidades de Proteção Popular da Síria (YPG), que não recebem essa classificação.

No final do encontro entre Blinken e Çavusoglu, os EUA e a Turquia emitiram uma declaração conjunta na qual não tocaram na questão e apenas assinalaram sua “sólida cooperação como parceiros e aliados da Otan” e reiteraram sua vontade de encontrar uma forma de acabar com a guerra na Ucrânia.

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