Brasileiro deixa de ganhar dinheiro ao preferir aplicação em poupança

Poupança não é a melhor opção de investimento, segundo especialistas

Poupança não é a melhor opção de investimento, segundo especialistas Pixabay

Com a variedade de produtos financeiros disponíveis no mercado atualmente, para todos os tipos de investidores e tamanhos de bolsos, causa certa surpresa a caderneta de poupança continuar campeã no coração dos brasileiros. Apesar de não oferecer a melhor rentabilidade, ela ainda é o produto mais usado no país por quem quer economizar, independentemente da classe social.  

Isso é o que mostra a 5ª edição da pesquisa “Raio X do Investidor Brasileiro”, realizada pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades do Mercado Financeiro e de Capitais) em parceria com o Datafolha. Do total de 5.878 pessoas que foram entrevistadas, entre os dias 9 e 30 de novembro de 2021, 23% afirmaram ter depositado suas economias na poupança naquele ano.

Para avaliar o comportamento do investidor, os responsáveis pelo estudo dividiram a população de acordo com a renda familiar média: as classes A/B englobam as famílias com ganhos médios de R$ 7.943; a classe C, as com renda em torno de R$ 2.904, e as classes D/E, de R$ 1.492. Nessa amostra, 47% são mulheres, e 53%, homens, com 16 anos ou mais, de todas as regiões do Brasil. Além disso, 1.393 pessoas pertencem às classes A/B (25%), 2.810 (47%) são da classe C, e 1.675 (28%) integram as classes D/E. Participaram da pesquisa pessoas economicamente ativas, aposentadas e inativas, com ou sem algum tipo de renda. 

O investimento em poupança é a opção de 35% dos indivíduos das classes A/B, de 23% das pessoas da classe C, e de 14% dos integrantes das classes D/E. Na avaliação de Luiz Bacellar, CEO da Saks, startup do setor financeiro, que atua no segmento de seguros e previdência, a popularidade da poupança se deve a quatro fatores, que podem ser vistos a partir de sua motivação principal: cultural, técnica, informacional/educacional, educacional e econômica.  

“Do ponto de vista cultural, a poupança é uma tradição nacional. Desde criança, a gente ouve que tem de poupar. Nasce uma criança na família, e alguém abre uma poupança para ela. O segundo aspecto, técnico, é a disponibilidade. Quase toda conta bancária, quando é aberta, já vem, automaticamente, com uma conta poupança. Ela acaba sendo usada como forma de guardar dinheiro, não necessariamente como investimento, porque é muito mais fácil colocar o dinheiro na poupança do que em qualquer outro investimento”, afirma Bacellar.

O gestor fala que o terceiro fator é a falta de informação e educação financeira. “A maioria das pessoas desconhece ou tem receio de trocar um investimento tradicional, como uma poupança, por outro produto, como uma renda fixa ou algo do tipo. Se eu perguntar para qualquer pessoa na rua o que ela entende de renda fixa, tenho certeza que mais de 90% vão dizer que não sabem nada, ou que estão muito ocupadas para poder aprender. Mas a informação está aí, em todo lugar. Também tem fator educacional, a gente aprende que tem que trabalhar para ganhar dinheiro, mas não aprende a lidar com o dinheiro. Na hora de fazer um financiamento para comprar uma casa ou um carro, a maioria das pessoas não sabe nem se dá pra conseguir juros menores, como calcular

E tem o quarto aspecto, que é econômico, a baixa renda de 95% da população, que ganha até R$ 3.500, e não tem tanta disponibilidade de capital para investir. Quando sobra algum dinheiro?”, diz.

Para Samuel Torres, consultor financeiro da fintech Onze, a falta de educação financeira, também apontada por Bacellar, é o que leva o brasileiro a ainda confiar mais na poupança que em outros investimentos, mais rentáveis. “Estamos com uma inflação anual de 12,75%, mas a poupança está rendendo apenas 6,17% ao ano. Foi um bom negócio até 2020, quando a taxa Selic estava em 2% ao ano, mas hoje é ruim”, analisa. 

O consultor afirma que uma das melhores opções de investimento na atualidade é o CDB (Certificados de Depósitos Bancários) com pagamento de 100% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário). “Graças à concorrência, está mais comum e disponível nos grandes bancos, tem baixíssimo risco, e rende a taxa Selic”. Segundo Torres, é possível investir, por exemplo, R$ 50 por mês. “Nesses casos, é fácil abrir conta em um banco digital, sem tarifas, e aplicar em um CDB pós-fixado com liquidez diária”, orienta.

Os CDB são aplicações de renda fixa, que consistem em emprestar dinheiro para uma instituição financeira em troca de rendimento; Se for prefixado, a porcentagem a render é conhecida no momento em que é feita a primeira aplicação; se for pós-fixado, o retorno varia de acordo com um indexador econômico. O CDB com liquidez diária permite a realização de resgates diariamente, sem perda de rentabilidade. 

Ainda segundo Torres, outras opções de aplicação para quem quer investir sem correr riscos são o Tesouro/Selic, “um tipo de tesouro direto, dos mais seguros do Brasil, pós-fixado, sem variação de preço, praticamente sem risco de perder dinheiro”, e o Tesouro IPCA+, que tem garantia de rentabilidade acima da inflação, mas com vencimento de longo prazo (o dinheiro precisa parado, no mínimo, até 2026, mas pode ser até 2035).

A pesquisa da Anbima/DataFolha mostrou que 61% dos entrevistados não conhecem ou não usam nenhum tipo de investimento, número que sobe para 64% se for considerada somente a Classe C, e para 72%, se as respostas levadas em conta forem apenas as das Classes D/E. Os fundos de investimentos são o que têm maior adesão: 3% dos entrevistados optam por esse tipo de aplicação. Há, ainda, uma pequena parcela de brasileiros (2%) que ainda guarda dinheiro em casa e/ou “embaixo do colchão”.

Para quem ainda não tem dinheiro aplicado, o primeiro investimento, na opinião de Torres, deve ser para uma “reserva de emergência”. “É aquele dinheiro que vai ser usado em um imprevisto, para você não precisar pegar dinheiro emprestado. O ideal é que chegue na quantia de, pelo menos, seis vezes o valor dos gastos mensais da família, isso se pensarmos que o imprevisto pode ser uma demissão, por exemplo”, aconselha o consultor.

Outra dica de ouro é dada por Bacellar: “Todo mundo deveria ter uma previdência privada. Não é um investimento tão tradicional como a poupança, mas é tão segura quanto, e pouca gente tem. É um meio de ir acumulando dinheiro todos os meses, é mais lucrativo que a poupança e mais rentável do ponto de vista fiscal também. Além disso, no futuro, é a garantia de um complemento para a aposentadoria, o que todo mundo vai precisar.”

Torres aponta mais uma vantagem do investimento em previdência privada: “É uma ótima opção de planejamento sucessório, porque não passa por inventário. Isso significa que, em caso de morte, o dinheiro investido e o rendimento é pago rapidamente para os herdeiros, não entra no processo”.

 

 

 

as redes sociais têm feito muito, mas ela sai da poupança, ela tem ido direto para promessas de resultados, é exorbitantes ou de lucros maiores. Achando que vai transformar 1000 em milhões muito rapidamente, né? É quando que é o que não acontece na prática, então pela falta de informações e você vai entrar, a gente tem muito mais gente falar falando de investimento do ponto de vista de trading, de tentar ganhar dinheiro fácil na bolsa.

Do que ensinando você a poupar de modo consistente seu dinheiro, 

classe A => 6% de investidores, classe B => 35% de investidores, classe C => 45% de investidores, classes D/E => 14% de investidores

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Do total dos entrevistados, 84,5% têm renda – dentre estes, 28,1% investem em produtos financeiros. Dos 15,5% que não dispõem de renda, 2,9% investem em produtos financeiros.
As diferentes classes sociais apresentam comportamentos distintos em relação a dinheiro e investimentos, optamos por segregar as informações por classes A/B, C e D/E

 

 

Poupança – Nas intenções de investimento, ou seja, no desejo de passar a utilizar ou continuar aportando recursos em determinado produto financeiro, a poupança também lidera com 21% na população em geral, chegando a 25% entre as pessoas da classe A/B e caindo para 15% na D/E.
Na sequência, na preferência da população como um todo, ficaram a compra e venda de imóveis, com 11%, e moedas digitais e ações com 4% cada.
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Na hora de escolher o tipo de produto que irá compor suas carteiras, o principal motivo citado pelos brasileiros é a segurança (35%).
O segundo critério mais levado em conta pela população é o retorno financeiro possível de se obter com o dinheiro aplicado (17%).
Na análise por classes sociais, a A/B se destaca, com 38% e 24%, respectivamente.

Tipo de investimento – dentre os investimentos que a população conhece, a caderneta de poupança é o produto financeiro mais utilizado entre os brasileiros, com 23% das menções. Este percentual sobe para 35% na classe A/B, 23% na classe C, e cai para 14% na D/E.

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2021 – menos de 1/3 dos brasileiros (27%) conseguiu economizar – 45% da Classe A/B conseguiu economizar; 25% na classe C e apenas 1 a cada 10 da classe D/E
Meio de economizar – diminuir gastos e/ou deixar de sair (44%); evitar compras desnecessárias (21%) e controlar despesas (18%)
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Fatores que prejudicaram na hora de economizar:
Perda de renda e emprego em 2021 – do total da população, 63% declararam perda parcial ou total de renda no período
Esse percentual é maior na classe C (66%)
Com relação à perda de emprego, 16% dos entrevistados disseram ter passado por essa situação e 25% declararam que outra pessoa da sua residência passou.
Mais da metade da população (54%) precisou de dinheiro para alguma emergência em 2021
O percentual é maior na classe A/B (58%), seguida da C (57%). Esse índice foi menor (45%) na classe D/E
Das atitudes citadas como emergenciais, retirar dinheiro de aplicações financeiras ou recorrer a outras reservas foi a opção para 40% dos brasileiros – situação foi mais comum a classe A/B.
Pedir empréstimo ou usar o cheque especial ou rotativo foi o caminho percorrido por 26% da população – maioria das classes A/B e C, ambas com percentual de 28%.
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Disposição para investir
O aumento da inflação foi o fator mais apontado pelos investidores como desestimulador do investimento (53%)
Em segundo lugar, com 45% das citações, veio a alta dos juros.

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