Prémio Pessoa/2022 entregue hoje ao poeta João Luís Barreto Guimarães

«Entre as razões que elencou, referiu o facto de não viver na área da Grande Lisboa, de onde são oriundos a maioria dos distinguidos em edições anteriores.

João Luís Barreto Guimarães, num discurso pontuado com alguma ironia e humor, disse ainda que apesar de o Prémio ter o nome de um poeta, poucas vezes foi atribuído a poetas, mas, questionou, quem dos distinguidos anteriormente não terá esboçado um poema.

Instituído em 1987 pelo Semanário Expresso, o Prémio Pessoa distinguiu em 1988 o poeta António Ramos Rosa, no ano seguinte, Herberto Hélder, que o recusou, em 1995 Vasco Graça Moura, também romancista, ensaísta e tradutor, e em 1999, Manuel Alegre, também ficcionista.

Barreto Guimarães, de 55 anos, é também cirurgião de medicina plástica e reconstrutiva, tem onze títulos publicados, foi já distinguido com vários galardões literários, e o seu discurso intitulou-se “O Breve Concerto da vida. O Desconcerto do Mundo”.

Referiu-se a si como um poeta marcado pelo humanismo europeu, no sentido que lhe deu Steiner, da “Europa dos cafés” — espaços de convívio e referiu os cafés Magestic e Guarani, no Porto -, da “Europa percorrida a pé” – das marchas napoleónicas às peregrinações a Santiago [de Compostela] -, da “Europa da memória” com nomes de ruas que homenageiam vultos -, a “Europa de Atenas, Roma e Jerusalém” – a “da Tradição” -, e a “Europa da Escatologia”, a Europa de tragédias, citando a ação militar ordenada pelo Presidente da Rússia Vladimir Putin.

Barreto Guimarães afirmou-se como “um poeta com quatro nomes e europeu”, reconheceu que o podia ter simplificado, como o usa na profissão de médico, mas preferiu assim.

O poeta afirmou que os livros de História dão habitualmente a versão dos vencedores” e a poesia a dos vencidos.

Em seu entender “poetas e governantes não coincidem na página do mesmo livro”.

Numa nota de ironia, afirmou que um jovem político ao ouvir o nome de Perséfone, certamente julgaria tratar-se de uma empresa estrangeira de telecomunicações, e não da deusa da Agricultura, na mitologia grega, filha de Zeus e da sua irmã Deméter.

Todavia, é para a poesia que os governantes se viram quando tudo falha, disse.

O poeta referiu no seu discurso as reivindicações de médicos e professores e considerou “humilhante” terem de vir para as ruas.

“A política encontra-se em declínio, sem rumo, sem esperança, sem pensamento”, asseverou, referindo ainda o “terramoto” que abala as religiões.

Mas “o livro é uma arma”, pois nele se encontra “clareza, sabedoria, verdade e algum sentido de justiça”.

O poeta contou que antigas igrejas em Xangai ou em Maastricht, nos Países Baixos, como a de São Tiago em Óbidos, no distrito de Leiria, são atualmente livrarias.

Antes de João Luís Barreto Guimarães discursar, usaram da palavra o presidente da comissão executiva da Caixa Geral de Depósitos, que patrocina o galardão, Francisco Pinto Balsemão, presidente do Grupo Impresa, proprietário do Expresso, e que presidiu ao júri, e o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que se referiu ao laureado como “o melhor que se pode ser em literatura”, nos últimos 30 anos, destacando a sua “singularidade”.

A cerimónia teve lugar no auditório Emílio Rui Vilar, na Culturgest, em Lisboa, e teve na assistência, entre outros, os ministros da Cultura e da Saúde, respetivamente, Pedro Adão e Silva, e Manuel Pizarro, os presidentes das câmaras de Lisboa, Carlos Moedas, e do Porto, Rui Moreira, e os escritores Nuno Júdice e Francisco José Viegas.

O músico Pedro Abrunhosa encerrou a cerimónia com uma atuação.

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