Representante ucraniano no Brasil diz que Putin quer dominar Ucrânia

Veículo militar russo destruído próximo a Pokrovske, no leste da Ucrânia

Veículo militar russo destruído próximo a Pokrovske, no leste da Ucrânia Dimitar Dilkoff/AFP – 4.5.2022

O conflito entre Rússia e Ucrânia colocou à prova a relação de dois povos vizinhos, com relações históricas que atravessaram séculos e guerras. Há menos de 40 anos, inclusive, os dois Estados estavam sob a mesma bandeira da União Soviética.

Entretanto, de 2014 até 2022, anexações, trocas de acusações e invasões tornaram esta relação mais difícil. Segundo Vitorio Sorotiuk, presidente da Representação Central Ucraniano Brasileira, Vladimir Putin deseja a “dominação” da Ucrânia.

“A nossa comunidade ucraniana no Brasil vê a guerra de agressão russa como uma guerra, em primeiro lugar, expansionista. Vladimir Putin, antes de invadir a Ucrânia, escreveu um texto de 20 páginas sobre a história da Ucrânia onde ele nega a existência da Ucrânia, ele diz que o país é uma invenção de Vladimir Lenin”, conta Sorotiuk ao R7.

Para o representante da comunidade ucraniana no Brasil, o presidente da Rússia deve entender que junto à criação da União Soviética, em 1917, houve também uma revolução social, libertando a Ucrânia.

“Temos que Putin quer reescrever a história, reeditar o czarismo, que é a dominação da Rússia sobre a Ucrânia. É assim que nós vemos o que está acontecendo.”

 

 

Frustração russa por não conseguir dominar a Ucrânia

Kiev, capital da Ucrânia, se manteve de pé após tentativa de invasão russa

Kiev, capital da Ucrânia, se manteve de pé após tentativa de invasão russa Ronaldo Schemidt/AFP – 7.4.2022

 

 

Apesar de ter um exército muito maior em efetivo do que a Ucrânia, as Forças Armadas da Rússia batalham para dominar diferentes regiões do país vizinho. A ofensiva, que teve início em 24 de fevereiro, tinha um objetivo claro: a capital Kiev.

Já no terceiro mês de guerra, Putin continua sem o controle de Kiev e deslocou grande parte das tropas do país para o leste ucraniano, onde ficam as regiões separatistas de Donetsk e Lugansk.
Sorotiuk interpreta as tentativas em vão dos russas como “grande derrota”, o que teria diminuído a moral dos soldados de Moscou em solo ucraniano.

“O conflito na Ucrânia já passa de dois meses. Naturalmente, as intenções do Putin eram uma guerra relâmpago, de pouco tempo, com a tentativa que eles fizeram de ocupação do próprio palácio presidencial”, diz Sorotiuk. “Ali eles sofreram uma grande derrota”, complementa.

O representante ucraniano no Brasil, porém, admite o avanço russo no leste do país, creditando o sucesso ao poderio da segunda maior potência militar mundial.

Sorotiuk acrescenta que o Kremlin confunde a defesa da cultura ucraniana com um possível traço neonazista no país. Para o representante, a busca da integração da nação com a Europa Ocidental é uma prova contrária disso.

“Os ucranianos têm uma visão de defesa de sua cultura, mais integração com as demais culturas dentro do contexto europeu”, explica Sorotiuk. “[Os russos] acham que isso é uma visão nazista. Então, desnazificar a Ucrânia é tirar os ucranianos da ideia de integração europeia”.

O presidente da Representação Central Ucraniano Brasileira ainda afirma que a Rússia quer criar um império euroasiático, do qual a Ucrânia faria parte. “Na concepção deles, os ucranianos participam do Império Russo e devem ser integrados ao Império Russo”, conclui.

 

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