Endividamento e inadimplência voltam a bater recorde em abril

Marcos Santos/USP Imagens

O percentual de famílias que relataram ter dívidas a vencer alcançou 77,7% do total de famílias brasileiras em abril, de acordo com dados divulgados nesta segunda-feira (2) pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo). Trata-se da maior proporção da série histórica da pesquisa, apurada desde 2010.

A Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor) aponta que indicador avançou 0,2 ponto percentual no mês. Com a evolução, o endividamento e a inadimplência figuram em um patamar 10,2 pontos percentuais maior do que o registrado em abril de 2021, quando a parcela correspondia a 67,5% da população.

De acordo com a pesquisa, a tendência de alta no endividamento se mantém ainda com os juros de mercado mais elevados. “A inflação alta, persistente e disseminada mantém a necessidade de crédito para recomposição da renda, fazendo com que as famílias encontrem nos recursos de terceiros uma saída para a manutenção do nível de consumo”, avalia José Roberto Tadros, presidente da CNC.

Apesar de oferecer os custos mais elevados, o cartão de crédito segue como o tipo de dívida mais comum entre os consumidores. A modalidade foi a única que apresentou aumento em abril e atinge 88,8% de famílias, com um endividamento que ocorre, essencialmente, no consumo de curto prazo.

O tempo de comprometimento com dívidas caiu novamente em abril (7,1 meses), com mais pessoas endividadas no período de até três meses (25,1% do total de endividados). Já o percentual de endividados por mais de um ano segue em queda, representando 32,9% dos endividados.

Inadimplência

A parcela da população com dívidas ou contas em atraso também cresceu ao maior patamar histórico, atingindo 28,6% do total de famílias, com alta de 0,8 ponto percentual no mês. O valor também representa crescimento de 4,4 pontos percentuais, em relação ao registrado em fevereiro de 2020, antes da pandemia de Covid-19.

Já a fração que declarou não ter condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso e, portanto, permanecerá inadimplente chegou a 10,9% e apresentou aumento mais modesto de 0,1 ponto percentual, ante março. O nível é ainda 0,5 ponto percentual maior do que o registrado em abril de 2021 e o maior desde dezembro de 2020.

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