Agosto Lilás acabou. Setembro começou. Mas, para milhares de mulheres em Goiás, o medo não segue o calendário.
Agosto terminou levando consigo as campanhas, os discursos e as ações de conscientização do Agosto Lilás. Setembro chegou, mas uma pergunta permanece: quem protege as mulheres quando o mês da campanha acaba?
Em Goiás, os números mostram que o problema está longe de terminar.
Até 26 de julho de 2026, o Estado já havia registrado 45 feminicídios. Três das vítimas tinham medida protetiva ativa no momento do assassinato.
No primeiro semestre deste ano, 23.188 pedidos de medidas protetivas chegaram ao Tribunal de Justiça de Goiás. Mais de 91% das decisões foram favoráveis à concessão da proteção.
A Justiça concede. A polícia acompanha. A rede de proteção trabalha.
Mas os números levantam uma questão incômoda:
protegida pela lei significa necessariamente protegida na vida real?
Em 2025, Goiás registrou 214 tentativas de feminicídio, aumento de 12,7% em relação ao ano anterior. Foram ainda 5.855 descumprimentos de medidas protetivas, 32.755 ameaças e 4.334 casos de perseguição.
É o retrato de uma violência que não começa no feminicídio.
Ela pode começar com uma ameaça. Depois vem a perseguição, o controle, a violência psicológica, a agressão — e, em alguns casos, o desfecho mais cruel.
Por isso, o fim do Agosto Lilás não pode significar o fim da discussão.
A violência contra a mulher acontece em janeiro, fevereiro, março, abril, maio, junho, julho, agosto, setembro… todos os dias.
A proteção também precisa acontecer todos os dias.
O alerta continua
Os números mostram que Goiás possui uma estrutura de proteção cada vez mais acionada. O desafio agora é garantir que essa proteção seja suficiente para impedir que uma mulher que já pediu ajuda se torne mais uma estatística.
Porque não basta estar protegida na teoria.
É preciso estar segura na vida real.
Goiás Alerta | A notícia continua quando a campanha termina.

