PSD acusa PS de deixar "Estado todo partido" e "o partido todo no Estado"

PSD acusa PS de deixar "Estado todo partido" e "o partido todo no Estado"

Num comício da Aliança Democrática (AD) ao ar livre em Évora, num palco montado na Rua João de Deus, Luís Montenegro alegou também que o PS quer o “Estado a decidir” a vida das pessoas, enquanto a coligação PSD/CDS-PP/PPM quer dar-lhes “instrumentos para cada um ser na vida aquilo que ambiciona”.

Segundo o presidente do PSD, “esta é uma diferença estrutural” entre os dois projetos, “o PS quer mais Estado, quer utilizar o Estado para si próprio, e no fim do dia deixa sempre as coisas muito pior”.

“O Estado social socialista hoje é uma vergonha, que envergonha a esquerda, que envergonha os princípios socialistas”, considerou.

Luís Montenegro argumentou que perante “maus resultados” não se deve insistir “na mesma receita”, e sustentou que com as “políticas diferentes” da AD haverá melhores serviços de saúde e educação, “um verdadeiro Estado social”.

“Nós não queremos o Estado partido, nem queremos o Estado social a não dar às pessoas a respostas que elas querem e merecem. Nem queremos o partido, mesmo que fosse o nosso, no Estado. O Estado é dos cidadãos, o Estado existe para servir os cidadãos. Nós só queremos o poder para dar os instrumentos de que os cidadãos precisam para criar riqueza e serem na vida aquilo que ambicionam”, afirmou.

Em Évora, que vai ser Capital Europeia da Cultura em 2027, Luís Montenegro destacou propostas para este setor, para “transformar a criatividade em valor”, defendendo que “a cultura não é património da esquerda” e que “as grandes transformações, as grandes conquistas culturais em Portugal até estão associadas à AD”.

“No nosso programa propomos que no final desta legislatura a despesa com cultura seja 50% superior àquela que os socialistas nos deixaram. Não é fácil, mas nós vamos atingir esse objetivo. Por isso nós propomos que na escola haja uma valorização do ensino das artes, do teatro, da música, da expressão plástica”, referiu.

A AD quer fazer “uma verdadeira lei do mecenato que possa dar aos criadores, aos produtores culturais, aos agentes da cultura meios financeiros para poderem promover a sua atividade”, por entender que, mesmo quando não tem rentabilidade financeira, a cultura tem “rentabilidade social, rentabilidade coletiva”.

Dando como certo que irá liderar o próximo Governo, Luís Montenegro assegurou que estará “ao lado da cultura portuguesa, da criação portuguesa”.

Antes, discursou o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, a quem o presidente do PSD se referiu como “um amigo” e “companheiro de percurso” e que elogiou pelo seu trabalho como autarca.

Montenegro apontou Moedas como “a expressão de que um Governo com os princípios da social-democracia e da democracia-cristã é capaz de oferecer mais qualidade de vida às pessoas”.

De acordo com o presidente do PSD, agora “há melhor transporte” em Lisboa, “mais oportunidades de vida para os jovens” e “as pessoas mais idosas têm mais oportunidade de ter uma vida ativa, têm mais respeito pelos poderes públicos e dos poderes públicos”.

No seu discurso, Montenegro rebateu as críticas de excesso de otimismo à perspetiva de crescimento em que se baseia o programa da AD e acusou o PS de falta de ambição: “Acham que crescer 3%, 3,5% não é atingível em Portugal?”.

“o que tem para oferecer ao país é continuar neste marasmo, nesta estagnação? Então o PS é o primeiro a reconhecer e a dizer aos portugueses: não votem em nós porque nós não temos mais ambição do que isto, nós esgotámos o nosso prazo de validade e esgotámos a capacidade de mudança”, disse.

O presidente do PSD manifestou-se convicto de que a AD está “a disputar a vitória” no círculo de Évora, que elege três deputados. Em 2022, o PSD elegeu aqui um deputado, que tinha perdido em 2019.

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