IL quer saber se também há obras suspeitas nos Açores. Bolieiro já reagiu

IL quer saber se também há obras suspeitas nos Açores. Bolieiro já reagiu

Nuno Barata, coordenador da IL nos Açores e candidato às eleições legislativas regionais de domingo, disse à agência Lusa que a sua atitude “não [é] propriamente uma suspeita, é uma preocupação”.

“Nós, quando ouvimos a notícia sobre aquilo que se passou na Madeira, o comunicado do Ministério Público e da Polícia Judiciária remete para investigações que estavam a ser estendidas aos Açores”, disse.

A Polícia Judiciária (PJ) realizou na quarta-feira cerca de 130 buscas domiciliárias e não domiciliárias na Madeira, nos Açores e em várias zonas do continente, no âmbito das quais o presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque, foi constituído arguido e foram detidos o presidente da Câmara do Funchal, Pedro Calado, o líder do grupo de construção AFA, Avelino Farinha, e o principal acionista do grupo ligado à construção civil Socicorreia, Custódio Correia.

Em causa estão suspeitas de corrupção ativa e passiva, participação económica em negócio, prevaricação, recebimento ou oferta indevidos de vantagem, abuso de poderes e tráfico de influência, de acordo com a PJ.

Segundo Nuno Barata, numa “pequena investigação” que a IL fez encontrou “adjudicação massiva de obras, nos últimos três anos, à [empresa] AFAVIAS, na ordem dos 60 milhões de euros, e licenciamentos da Câmara Municipal de Ponta Delgada, quer no tempo do doutor José Manuel Bolieiro [foi líder da autarquia entre 2012-2020], quer no tempo já do doutor Pedro Nascimento Cabral [atual presidente], à [firma] Socicorreia”, situações que deixaram os liberais “desconfortáveis”.

“E é nesse sentido que entendemos que essas situações devem ser classificadas a tempo de os açorianos poderem decidir em consciência o seu voto no próximo dia 04 de fevereiro”, afirmou.

Para o candidato e líder do IL/Açores, o Ministério Público e a Polícia Judiciária devem “explicações aos açorianos”.

“Da mesma forma que o fizeram na Madeira, deviam tê-lo feito aqui nos Açores. Se há ou não suspeitas, se há ou não investigação em curso e também os intervenientes devem esclarecer o povo açoriano dessa situação”, disse.

Questionado pelos jornalistas em Vila Franca do Campo, na ilha de São Miguel, durante uma ação de campanha, o líder da coligação PSD/CDS-PP/PPM e candidato à reeleição como presidente do Governo Regional, que lidera desde 2020, José Manuel Bolieiro, repudiou as declarações e “insinuações” de Nuno Barata, “desmentindo e lamentando este tipo de política que, na verdade, não faz falta à democracia, porque vive de insinuações”.

“E também, já agora, quero dizer [que] o mesmo lamento em relação ao doutor Vasco Cordeiro, porque me surpreende, face ao seu caráter, relativamente à insinuação de que eu teria um acordo secreto com o Chega”, acrescentou, salientando que “a política não se faz assim, não dignifica”.

“E eu não vou replicar a não ser com esta expressão. A surpresa, o repúdio, e não me envolvo nessa dialética. E, portanto, fico com o repúdio. E, cada um dá o que tem, na dimensão do que é”, referiu.

Questionado sobre o volume de contratos com a empresa AFAVIAS durante o seu mandato, José Manuel Bolieiro disse não ter ideia.

“Não faço a menor ideia. Eu penso até que foram mais contratos que vinham da anterior governação, na sua larga maioria, mas não faço a menor ideia. E, por outro lado, o que está em causa é a legalidade e a transparência dos procedimentos e não a insinuação”, argumentou, insistindo que este tipo de ambiente não dignifica a democracia.

Mas, acrescentou, “fica com quem a faz e as pessoas sabem bem a origem deste tipo de atividade e de debate político”.

O Presidente da República decidiu dissolver o parlamento açoriano e marcar eleições antecipadas para 04 de fevereiro após o chumbo do Orçamento para este ano.

Onze candidaturas concorrem às legislativas regionais, com 57 lugares em disputa no hemiciclo: PSD/CDS-PP/PPM (coligação que governa a região atualmente), ADN, CDU (PCP/PEV), PAN, Alternativa 21 (MPT/Aliança), IL, Chega, BE, PS, JPP e Livre.

Em 2020, o PS venceu, mas perdeu a maioria absoluta, surgindo a coligação pós-eleitoral de direita, suportada por uma maioria de 29 deputados após assinar acordos de incidência parlamentar com o Chega e a IL (que o rompeu em 2023). PS, BE e PAN tiveram, no total, 28 mandatos.

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