A porta-voz do partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN), Inês Sousa Real, deu, esta quinta-feira, uma entrevista, na qual falou sobre a disponibilidade para realizar acordos, tanto com o Partido Socialista como o Partido Social Democrata (PSD).
Questionada sobre se esta não era uma posição que se poderia virar contra o partido, Sousa Real respondeu que a prioridade que seria colocada seriam sempre “as causas que representa na Assembleia da República”.
“A pergunta que teremos de colocar é se o partido que tiver a maior votação na noite eleitoral está disponível para se aproximar das causas que o PAN representa e daquilo que tem sido o nosso caderno de encargos – e não o contrário”, retorquiu, sublinhando sempre que o PAN não estaria disponível para viabilizar governos que não deixassem claras as suas ‘linhas vermelhas’ – exemplificando com o caso do PSD em reação ao Chega.
“Achamos que não tem sido suficientemente claro. A democracia está em constante transformação e risco”, apontou, defendendo que falta debate que dê resposta às preocupações do país. “Tem-se debatido em torno de possíveis coligações à Esquerda ou à Direita, mas não se tem debatido qual a visão política que cada partido quer trazer para o país, quais as reformas estruturais”, apontou.
Pressionada sobre se em caso de necessidade prefere como líder Pedro Nuno Santos ou Luís Montenegro, Sousa Real reforçou que era preciso que a pergunta fosse feita ao contrário: “O que é que o PS e o PSD estão disponíveis para se comprometer para vir ao encontro das causas que o PAN representa”
Confrontada sobre o caso das touradas, a deputada respondeu que, nesse caso em concreto, o partido estava mais afastado do PSD, que defende redução do IVA dos espetáculos tauromáquicos, por exemplo. “Afasta-nos de qualquer força política que defenda a manutenção da tauromaquia no nosso país, a manutenção de benefícios públicos no nosso país e dinheiros públicos para as touradas. Não aceitamos que possam vir defender, seja no âmbito de uma coligação, estar a dar a mão a forças políticas que de alguma forma querem reavivar as touradas no nosso país e reduzir o IVA. Ou até mesmo estar a trazer para as suas listas entidades como a CAP ou ex-dirigentes, que claramente estão em contraciclo com o rumar das alterações climáticas”, explicou.
Sousa Real defendeu ainda que são precisas forças disruptivas, “como o PAN”, cujo caderno de encargos é mais “fresco” e progressista. “Neste momento o país precisa de reforma que tem tardado em ser feita. Estar a votar nos mesmos do costume, nomeadamente, no Bloco Central, já ficou claro que não vai contribuir para o país crescer nem para o desenvolvimento sustentável de que precisamos”, continuou, dando o exemplo das crises habitacional e climática, ou mesmo a mais recente política.
“Casos até como a Operação Influencer vieram demonstrar a importância de existir transparência na governação, de sabermos qual é a pegada legislativa que as forças políticas – nomeadamente as que têm mais poder – seja na Presidência ou governo – e aqui falamos necessariamente de PS e PSD. Com quem é que se sentam à mesa Com quem é que estão a dialogar? E para onde é que estão a ir os dinheiros públicos?”, questionou.
Durante a sua intervenção, Sousa Real apontou ainda que o partido estava a concorrer para representar as pessoas, referindo antes: “Não estamos aqui a concorrer para termos tachos, não estamos a concorrer pelo poder”.
Após críticas ‘ferozes’, Sousa real responde: “Faz parte dos coletivos esse tipo de situação”
Sobre a questão do poder, Sousa Real foi questionada sobre uma ‘crise’ dentro do partido, quando no início do mês sete comissários do partido se demitiram e acusaram Sousa Real de ser “uma farsa” e até mesmo “um caso de prostituição política, uma anedota nacional”.
“Faz parte das democracias internas – pelo menos dos partidos democráticos – a Oposição”, afirmou, defendendo que discordava das expressões usadas pelos ex-comissários.
Questionada sobre se algum descontentamento interno com a sua liderança não a deixava preocupada, Sousa Real garantiu que de “forma alguma” isso iria afetar o seu desempenho. “Existe não só união, como este é um momento em que vamos para eleições e que deve convocar-nos a todos e a todas, que interna, quer externamente, para a união e para que possamos avançar as nossas causas. É essa a preocupação desta direção”, sublinhou.
Em relação às críticas internas deixadas publicamente, nas quais acusam falta de democracia interna, Sousa Real foi peremptória: “Faz parte dos coletivos esse tipo de situação”.
“O PAN tem feito um trabalho muito sério. Só nestes dois últimos anos, falamos de mais de 30 milhões de euros que foram para a proteção animal. Há um longo caminho por percorrer, mas temos feito a diferença”, defendeu, falando não só em termos financeiros como também em termos sociais.
Sousa Real apontou ainda que propostas relacionadas com a crise na habitação ou a ferrovia são prioridades, para além da crise climática. “E valorização dos profissionais. Não nos podemos lembrar dos bombeiros só no verão, nem dos médicos quando temos crises no SNS como agora”, exemplificou.
Numa nota final, Sousa Real foi questionada sobre a perda da bancada parlamentar nas últimas eleições, referindo que “um bom resultado” seria recuperar um grupo parlamentar.
[Notícia atualizada às 22h55]
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