Compositor norte-americano Burt Bacharach morre aos 94 anos

Nome maior da música popular a sair dos Estados Unidos ao longo da segunda metade do século XX, só teve pares em figuras como John Lennon e Paul McCartney, Carole King e poucos mais, como recorda o obituário da Associated Press, que lembra criações suas como os temas ‘Walk on By’, ‘I Say a Little Prayer’ ou ‘This Guy’s in Love with You’.

Vencedor de oito Grammys e de três Óscares, criou canções para vozes como Dionne Warwick, Aretha Franklin, Dusty Springfield, Tom Jones e outros, tendo os seus temas sido alvo de versões por nomes que foram de Elvis Presley aos White Stripes.

Músico inovador, Burt Bacharach cresceu no jazz e na música clássica e tinha pouco gosto pelo rock quando entrou no meio, nos anos 1950.

A sua sensibilidade parecia frequentemente mais alinhada com Tin Pan Alley do que com Bob Dylan, John Lennon e outros autores que surgiram mais tarde, mas os compositores de rock apreciaram a profundidade da sua sensibilidade aparentemente antiquada.

‘Há uma ideia de que ele tem canções fáceis. Pode ser agradável ouvi-las, mas não há nada de fácil nelas. Tentem tocá-las. Tentem cantá-las’, disse Elvis Costello, coautor do álbum ‘Painted from Memory’ de 1998, numa entrevista dada à Associated Press, em 2018.

Burt Bacharach triunfou em várias formas de arte, que lhe valeram a atribuição de Grammys e Óscares, dois dos quais em 1970, pela partitura de ‘Butch Cassidy and the Sundance Kid’ (‘Dois homens e um destino’) e pela canção ‘Raindrops Keep Fallin’ on My Head’.

Convidado frequente da Casa Branca, tanto em presidências republicanas como democratas, o compositor recebeu em 2012 o Prémio Gershwin, pelas mãos do então presidente Barack Obama, que tinha cantado alguns segundos de ‘Walk on By’ durante a campanha.

Casado quatro vezes, foi com o trabalho que estabeleceu os laços mais duradouros. Era um perfecionista que levou três semanas a escrever ‘Alfie’ e que podia passar horas a afinar um único acorde.

Burt Bacharach começou com melodias – fortes, mas intercaladas com ritmos em mudança e harmónicos surpreendentes – devendo muito do estilo ao seu amor pelo bebop e à sua educação clássica, especialmente sob a tutela de Darius Milhaud.

Bacharach foi essencialmente um compositor pop, mas as suas canções tornaram-se êxitos para artistas country (Marty Robbins), intérpretes de ritmo e blues (Chuck Jackson), soul (Franklin, Luther Vandross) e synth-pop (Naked Eyes).

Com a ajuda de Elvis Costello, entre outros, chegou a uma nova geração de ouvintes nos anos 1990.

Burt Bacharach recordava a sua infância como a de um rapaz solitário em crescimento, tão desconfortável com o facto de ser judeu que chegou a provocar outros judeus. O seu livro favorito, em criança, era ‘The Sun Also Rises’, de Ernest Hemingway.

Nasceu em Kansas City, Missouri, mas mudou-se logo para Nova Iorque. O pai era um colunista e a mãe uma pianista que encorajava o filho a estudar música.

Embora na altura estivesse mais interessado em desporto, praticava piano todos os dias depois da escola, para não desapontar a mãe.

Ainda menor de idade, entrava sorrateiramente em clubes de jazz, com um documento de identificação falso, e ouvia grandes nomes como Dizzy Gillespie e Count Basie.

‘Eles eram tão incrivelmente entusiasmantes que, de repente, entrei na música de uma forma como nunca antes tinha entrado’, recordou, no livro de memórias ‘Anyone Who Had a Heart’, publicado em 2013.

Estudante pobre, Burt Bacharach conseguiu ganhar um lugar no conservatório de música da Universidade McGill em Montreal, onde escreveu a sua primeira canção.

No início da carreira no ramo da música teve pouco sucesso como compositor, mas tornou-se um arranjador e acompanhante popular, em digressão com Vic Damone, os irmãos Ames e Paula Stewart.

Quando um amigo que tinha estado em digressão com Marlene Dietrich não conseguiu fazer um espetáculo em Las Vegas, pediu a Bacharach que interviesse.

O jovem músico viajou pelo mundo com a atriz e cantora alemã, em finais dos anos 1950 e princípios dos anos 1960, que o apresentava sempre em cada espetáculo: ‘Gostaria de vos apresentar o homem, ele é o meu arranjador, é o meu acompanhante, é o meu maestro, e eu gostaria de poder dizer que ele é o meu compositor. Mas isso não é verdade. Ele é o compositor de toda a gente … Burt Bacharach’.

Entretanto, ele tinha conhecido o seu sócio compositor ideal, Hal David, com quem produziu o seu primeiro ‘bestseller’, com ‘Magic Moments’, cantado em 1958 por Perry Como, e que o veio a acompanhar em muitos dos seus maiores sucessos.

Bacharach continuou a trabalhar até ao fim, jurando nunca se reformar, e sempre acreditando que uma boa canção poderia fazer a diferença.

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