Aterraram, não apareceram. O caso dos peregrinos da JMJ em parte incerta

Apesar de a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) arrancar esta terça-feira em Lisboa, onde são esperadas mais de um milhão de pessoas, muitos peregrinos foram chegando a Portugal ao longo dos últimos dias e foram acolhidos em paróquias de todos o país para eventos da ‘pré-Jornada’. Contudo, em três paróquias da Diocese de Leiria-Fátima cerca de 106 jovens de nacionalidade angolana e cabo-verdiana não compareceram

O caso foi dado a conhecer pela própria Diocese na segunda-feira, na sequência de um balanço sobre o evento ‘Dias nas Dioceses’ (DND), que decorreu entre os dias 26 e 31 de julho, em antecipação à JMJ, em 17 dioceses de Portugal continental e ilhas.

A única situação anormal que requereu uma atenção especial da parte da organização diocesana foi a ausência de 106 peregrinos dos grupos estrangeiros de nacionalidade angolana e cabo-verdiana acolhidos em três paróquias da Diocese“, revelou a Diocese em comunicado, assegurando que  as “não comparências” tinham sido “sinalizadas” e reportadas “às competentes autoridades de segurança”, que “desde então têm assumido as diligências exigíveis e necessárias”.

O Notícias ao Minuto contactou a  Diocese de Leiria-Fátima para obter mais esclarecimentos, mas ainda não foi possível obter resposta. Ainda assim, foi possível falar com o padre de Porto de Mós, José Alves, que lamentou a confusão e esclareceu que, dos 50 jovens que esperavam, chegaram apenas 22

“A verdade é que esperávamos cerca de 50 peregrinos, mas nunca soubemos um número certo. Não há lista nem de números nem de nomes. Nunca tivemos acesso a essas informações”, afiançou. 

Na rede social Facebook, a paróquia foi dando conta da chegada dos jovens. Primeiro dos russos, depois dos tailandeses, mas dos cabo-verdianos não houve menção porque chegaram “lá pelas 3h da madrugada”, segundo o padre. 

No aeroporto, “cada um quis ir com o seu amigo” e a divisão pré-estabelecida não foi seguida. “Na quarta-feira estivemos toda a tarde à espera e depois toda a noite”, tendo a espera culminado com a chegada dos 22 peregrinos, mas não dos 50. 

Autoridades tomaram “medidas de monitorização” 

O Sistema de Segurança Interna acabou por reagir ao sucedido e assegurou que as autoridades tomaram “medidas de monitorização” sobre os 106 peregrinos que não compareceram na diocese de Leiria-Fátima, embora não sejam considerados desaparecidos.

Este grupo composto por 106 peregrinos de nacionalidade cabo-verdiana e angolana estava “devidamente inscrito” na JMJ e entrou “regularmente e por via aérea em território nacional”, destacou o Sistema de Segurança Interna, em comunicado.

No entanto, estes peregrinos não realizaram o ‘check-in’ na diocese de Leiria-Fátima, conforme estava previsto, confirmou.

Segundo a nota, pelo facto de os cidadãos terem entrado em Portugal “de forma legal e com visto válido no espaço Schengen” não é considerado “para efeitos legais, que o grupo esteja desaparecido”.

Apesar desta circunstância, o Sistema de Segurança Interna adiantou que estão a ser “tomadas as competentes medidas de monitorização por parte das autoridades envolvidas, quer a nível nacional, quer a nível internacional”.

A organização da JMJ disse à Lusa estar a acompanhar a “não comparência” destes peregrinos de Angola e Cabo Verde na diocese de Leiria-Fátima, tendo a situação sido reportada às autoridades de segurança.

Contactadas pela agência noticiosa, fontes das embaixadas de Angola e Cabo Verde em Lisboa indicaram desconhecer a situação, uma vez que a deslocação destes peregrinos é enquadrada pelas igrejas.

Pelo menos 1.518 angolanos, residentes em Angola e na diáspora, inscreveram-se para participar na JMJ Lisboa 2023 e a partir de Luanda devem embarcar 518 peregrinos para este encontro com o Papa Francisco. De Cabo Verde, está prevista a participação de um total de 913 cabo-verdianos, incluindo religiosos.

A JMJ começa oficialmente hoje, dia 1 de agosto, decorrendo até dia 6. Considerado o maior evento da Igreja Católica, é esperada uma afluência de cerca de 1,5 milhões de pessoas, bem como a participação do Sumo Pontífice, o Papa Francisco, que chega a Portugal na quarta-feira.

As principais iniciativas da jornada decorrem no Parque Eduardo VII, na zona de Belém e no Parque Tejo, um recinto com cerca de 100 hectares a norte do Parque das Nações e em terrenos dos concelhos de Lisboa e Loures. 

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