Em declarações à agência Lusa, o coordenador dos peregrinos da Conferência Episcopal Peruana, Alvaro Salazar, citou a encíclica Fratelli tutti, dizendo que o Papa Francisco convida os fiéis “à fraternidade e ao diálogo universais”.
“Nos dois últimos capítulos fala expressamente do diálogo inter-religioso e ecuménico. Como exemplo disso, a Comissão Episcopal da Juventude da Conferência Episcopal Peruana tem capacitado jovens, a nível nacional, com técnicas e metodologias de diálogo ativo e de escuta ativa e assertiva com agentes de outras comunidades de fé”, disse Alvaro Salazar.
De acordo com o responsável, são esperados 1.206 peregrinos provenientes do Peru, sem contabilizar os residentes na Europa, acrescentado que a delegação oficial da Conferência Episcopal Peruana é de 100 pessoas.
“Ainda não chegaram todos. Alguns chegam esta noite e outros ainda estão a desembarcar”, anotou.
Perspetivando a JMJ, Alvaro Salazar realçou que é um motivo de orgulho o Papa Francisco ser sul-americano.
“Para nós, não é apenas um orgulho, mas também sentimos a proximidade das palavras, da forma como muitas vezes lida com as questões teológicas importantes. (…) Está a criar novas palavras para compreender a passagem do sinal dos tempos na história da salvação pessoal e comunitária”, observou.
Por seu turno, a peregrina Ana Pastor mostrou-se agradecida por participar na JMJ.
“Estamos muito gratos pela oportunidade de estar aqui, porque somos um grupo de pessoas privilegiadas. Somos um grupo muito pequeno de peruanos que puderam vir [a Lisboa]. (…) A experiência que vamos ter vai ser impressionante”, sublinhou.
Considerando o diálogo inter-religioso importante, o bispo da Paróquia de Chuquibamba, capital da Província de Condesuyos, na região de Arequipa, no Peru, explicou que há muito mais o que une as religiões do que as separa.
“O Papa Francisco deu-nos a Fratelli tutti com esse ideal, esse sonho, de um mundo capaz de estabelecer laços, unindo (…) todos. Todas as religiões, todas as culturas e subculturas do nosso tempo. Também temos de ter essa abertura como Igreja para aproximar e não alienar ou dividir”, afirmou Jorge Izaguirre Rafael.
Questionado sobre se a lista da Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais Contra as Crianças na Igreja Católica Portuguesa teve repercussão no Peru, o clérigo explicou que aquele país sul-americano tem “os seus próprios escândalos”, justificando que a “Igreja está sempre do lado das vítimas”.
“(…) Precisamos de trabalhar por uma cultura de prevenção destes abusos em todos os níveis, não apenas sexual, mas de poder. Estamos a receber treino contínuo e estamos a tentar preparar-nos para uma cultura que evite esses casos, para não chegarmos aos casos extremos”, indicou.
Sobre a visita, Ana Có, do Centro Internacional Rei Abdullah Bin Abdulaziz para o Diálogo Inter-religioso e Intercultural (KAICIID), disse que essa serviu para falar sobre a “importância de perceber e conhecer outras culturas e religiões”.
À Lusa, o imã da Mesquita Central de Lisboa, xeque David Munir, recordou que o local de culto para os muçulmanos vai estar aberto todos os dias, exceto na sexta-feira, para receber visitas de peregrinos, das 11h00 às 13h00 e das 15h00 às 17h00.
Leia Também: Concelho de Sesimbra recebe 3.500 peregrinos da JMJ

