Dois anos e quatro meses após o assassinato da família Gonçalves, no ABC Paulista, o júri dos réus acusados de matar e carbonizar os corpos dos empresários Romuyuki e Flaviana Gonçalves e do filho deles, Juan Victor, começaria nesta segunda-feira (13), no Fórum de Santo André (SP), mas um novo adiamento o levou para duas datas no segundo semestre, e prolongou a espera e a agonia dos familiares.
“É uma dor que não fecha. Envolve a dor da perda, a logística da família toda vir pra cá. É tudo muito massacrante. Por mais que estejamos chateados com a Justiça, estamos confiantes de que elas não vão escapar das garras da Justiça. Mas é uma dor que vai se estendendo”, disse ao R7 Diogo Reis, de 33 anos, primo das vítimas.
Na camisa, o servidor público levava a imagem de Romuyuki, Flaviana e Juan Victor, acompanhada frase “Justiça seja feita”.
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Diogo, que vive em São Bernardo do Campo, relatou que há parentes do interior de São Paulo e da Paraíba, mas assegurou que estarão nas datas dos julgamentos para pedir por Justiça.
“Estamos firmes, vamos estar aqui em outubro. Se mudar de novo, estaremos aqui de novo. A família é forte, unida, e vamos brigar pela Justiça. Não vão nos vencer pelo cansaço”, garantiu.
O julgamento, que deveria ocorrer em fevereiro e foi adiado após o não comparecimento de uma testemunha, foi marcado em dois blocos, em setembro e novembro.
Ainda na manhã desta segunda, antes da confirmação, já se sabia que Ana Flávia Gonçalves, filha do casal, e Carina Ramos, a namorada dela, iriam a júri em setembro. Isso porque a primeira trocou de advogado, que pediu o adiamento na sexta-feira (10), e o representante da segunda estava com Covid-19.
No entanto, diante da ausência de algumas testemunhas, o julgamento dos outros três também foi adiado.
Assim, Ana Flávia e Carina serão julgadas em 19 de setembro, em um bloco. No outro, em 21 de novembro, será a vez dos irmãos Juliano Oliveira Ramos Júnior e Jonathan Fagundes Ramos, primos de Carina, e Guilherme Ramos da Silva, vizinho dos dois.
O adiamento do júri popular e a decisão da Justiça ao desmembrá-lo em dois blocos em nada prejudicará o julgamento dos réus, segundo os advogados de acusação.
O advogado Epaminondas Gomes de Farias, que representa a família Gonçalves, afirmou à reportagem que essas mudanças não atrapalham a acusação, senão para a dor das famílias, que será prolongada.
“A maior dificuldade não é técnica, mas de ver a família com esse ‘caixão aberto’. Mas, tecnicamente, tem um conjunto de provas muito grande, que dá conta da ação de cada um deles, que certamente serão julgados”, avaliou Gomes de Farias.
Segundo o advogado, não haverá impacto técnico, uma vez que o conjunto de provas é “muito forte e robusto”: “O que lamentamos é a dor da família de ter que aguardar, mas tecnicamente não mudou um milímetro do que vão receber na devida hora.”

