Começa nesta segunda-feira (13) o júri dos cinco reús acusados de matar e carbonizar os corpos da família Gonçalves, no ABC Paulista, em janeiro de 2020. O julgamento acontece no Fórum de Santo André, na região metropolitana de São Paulo, e será presidido pelo juiz Lucas Tambor Bueno, a partir das 10 horas. A previsão é que dure dois dias.
Sete jurados vão decidir o destino de Anaflávia Martins Gonçalves, filha das vítimas, da namorada dela, Carina Ramos de Abreu, além dos irmãos Juliano Oliveira Ramos Júnior e Jonathan Fagundes Ramos, primos de Carina, e Guilherme Ramos da Silva, vizinho dos dois.
Eles respondem por três homicídios triplamente qualificado – meio cruel, motivo torpe e sem chance de defesa às vítimas –, ocultação de cadáver, roubo e associação criminosa.
Na decisão, o magistrado destacou que “a imputação de três crimes de homicídio multiqualificado, três crimes de ocultação de cadáver, roubo circunstanciado e associação criminosa é gravíssima e demonstra comportamento incompatível com o convívio em sociedade, não se admitindo a concessão de qualquer benefício liberatório a quem responde por tão graves condutas”.
O júri deveria ter ocorrido em 21 de fevereiro, mas foi remarcado para junho após uma das testemunhas não comparecer ao fórum. Na ocasião, a defesa dos réus não abriu mão do depoimento.
A morte do casal de empresários Romuyuki e Flaviana Gonçalves e do filho deles, Juan Victor, de 15 anos, teve o envolvimento da filha e da namorada dela. Anaflávia e Carina foram acusadas de planejar a morte dos três integrantes da família.
De acordo com a polícia, as duas informaram aos três suspeitos que havia R$ 85 mil na casa e ajudaram o trio a entrar na residência. No dia do roubo, segundo a denúncia feita pelo Ministério Público, eles não encontraram o dinheiro e, depois de ameaçar as vítimas, decidiram matá-las.
Os corpos do casal e do adolescente foram colocados dentro do carro da família e levados para uma estrada de terra em São Bernardo do Campo. O veículo foi incendiado e as vítimas carbonizadas.
À Record TV, Carina Ramos admitiu ter participado do planejamento do assalto, mas não das mortes. Ela disse que foi a ex-namorada quem arquitetou o crime. Já Anaflávia se disse inocente e afirma que os assassinatos foram premeditados pela ex-companheira.
Segundo Anaflávia, Carina a convenceu de que não aconteceria nada à família a não ser uma simulação de assalto. Os irmãos também se sentiram enganados por Carina ao perceber que não havia dinheiro algum na casa: “Foi uma cilada que ela arranjou pra nós porque a intenção dela, na verdade, não era roubar o dinheiro, porque não tinha dinheiro, a intenção delas foi querer matar eles”.
Com a quebra de sigilo de contas na internet e conversas entre o casal por um aplicativo de mensagens, a Polícia Civil descobriu que Anaflávia e Carina fizeram buscas relacionadas aos assassinatos.
Elas pesquisaram termos referentes ao seguro de vida de Romuyuki, como “seguro de vida cobre quais mortes”, “seguro de vida por morte assassinato” e “segurado de homicídio”. Elas foram feitas pelo celular da filha em 24 de dezembro de 2019, cerca de um mês antes do crime.
No dia 30 de dezembro, o casal pesquisou sobre a compra de um carro de luxo, apesar de estar endividado. Dois dias antes das mortes, Carina também fez pesquisas para reformar o piso de uma casa. A metragem e a descrição da planta é compatível com o imóvel onde a família foi morta, o que indica a intenção de se apossarem da casa.
O assassinato da família foi descoberto em 28 de janeiro de 2020. Anaflávia e Carina foram presas um dia depois. Jonathan, Guilherme e Juliano tiveram a prisão decretada poucos dias após o crime.
Vera Lúcia Chagas Conceição, que perdeu a família, aguarda a punição dos envolvidos, entre eles a própria neta: “Só vejo três caixões do meu neto, genro e da minha filha, e eu prometi justiça, tô clamando por justiça”.

