“Minha mãe provavelmente viu eles [suspeitos] agredindo ela [dona Martha] e foi para cima para defender…”, disse o filho de Alice Fernandes da Silva, Diogo Fernandes. A diarista morreu carbonizada junto à patroa Martha Maria Lopes Pontes, de 77 anos, na tarde desta quinta-feira (9), em um apartamento de luxo no Aterro do Flamengo, zona sul do Rio de Janeiro.
Há suspeitas de que dois homens, que prestaram serviços de pintura para Martha há cerca de três semanas, teriam sido responsáveis pelas mortes. A dupla realiza um trabalho para outro apartamento três andares acima, cujo dona mora fora do Brasil.
“Eu acho que eles premeditaram”, afirmou.
Em entrevista à Record TV Rio, Diogo contou que levava e buscava a mãe no trabalho, dois dias por semana. Por volta das 15h30, ele costumava ligar para Alice, de 51 anos, para ir buscá-la, mas ontem não conseguiu contato.
Ontem, o Corpo de Bombeiros foi acionado para uma ocorrência de incêndio, onde encontrou as vítimas no imóvel de dona Martha por volta das 16h50.
Às 16h30, Diogo realizava um serviço em Botafogo, bairro vizinho ao ocorrido. Ao terminar, ele resolveu passar no endereço de trabalho da mãe para verificar se estava tudo bem, já que a última visualização no aplicativo de mensagens foi às 17h10. Ao chegar lá, recebeu a notícia de morte da diarista e da idosa.
Diogo disse que a mãe Alice trabalhava para a dona Martha há 20 anos e as duas mantinham uma relação de carinho. A diarista recebia pagamentos em cheque, tendo em vista que a patroa não tinha afinidade com aplicativos de banco. Para ele, os pintores não ficaram satisfeitos com a quantia recebia pelo serviço e já ameaçavam a senhora.
No local, a secretária de outro prédio próximo ao edifício de dona Martha conversou com Diogo, dizendo ter ouvido gritos de socorro. Nesta tarde (10), a polícia faz uma segunda perícia no apartamento onde as vítimas foram encontradas carbonizadas e com cortes no pescoço.
Os celulares de Alice e Martha Maria não foram encontrados pelos agentes, mas conseguiram recuperar as imagens de câmeras de segurança do prédio, que serão analisadas.
Segundo informações, os vídeos mostram dois homens saindo do edifício no momento do incêndio. Agora, a polícia tentará identificá-los, para também confirmar ou negar as suspeitas contra os pintores.
Diogo relatou que, pelas imagens, a dupla chegou com máscara de proteção facial e boné como se quisesse esconder o rosto.
Além das testemunhas, agentes da Delegacia de Homicídios da Capital ouviram os filhos da Alice e de Martha Maria. Os corpos delas seguem no Instituto Médico Legal para exame de necropsia nesta sexta-feira.
Martha Maria deixou duas filhas e três netas. Já Alice deixou o marido, três filhos e seis netos.
Ao falar sobre a personalidade da mãe, Diogo Fernandes relatou que Alice era uma mulher bondosa, corajosa e guerreira. Ela veio do estado da Paraíba em busca de melhores oportunidades. A família morava em Nova Iguaçu, mas conseguiu se mudar para São Cristóvão, na zona norte da cidade.
“Há um ano, perdi meu pai assassinado. Meu irmão morreu afogado e, agora, a minha mãe assassinada de forma cruel”, lamentou Diogo Fernandes.
*Estagiária do R7, sob supervisão de PH Rosa

