Egito Antigo: saiba como o tema pode ser cobrado na prova do Enem

O Egito possuía uma economia agrária, dependente das cheias do rio Nilo, esclarece professor Khaled Elfiqi/EFE/EPA – 26.09.2021

Diante das descobertas de itens arqueológicos de mais de 2.500 anos atrás, na necrópole de Saqqara, no sul do Cairo, a história do Egito Antigo voltou a ganhar destaque entre os vestibulandos.

Para ajudar a entender mais sobre este contexto histórico, o R7 entrevistou professores de cursinhos, que explicam de qual forma o tema pode ser cobrado nas provas do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), que ocorrem no mês de novembro deste ano. Confira:

Alfredo Terra Neto, professor de história e orientador educacional do curso Pré-Vestibular da Oficina do Estudante de Campinas (SP), explica que os estudos tradicionais de história costumam dividir o período da Antiguidade, em dois grandes blocos: Antiguidade Oriental e Antiguidade Clássica. “A Antiguidade Oriental aborda as civilizações que surgiram um pouco antes de 4.000 a.C., na região que conhecemos atualmente como Oriente Médio, sendo as principais: os povos que viveram na Mesopotâmia, os egípcios, os fenícios e os persas”, explica. “Já a antiguidade clássica aborda as civilizações Grega e Romana, consideradas fundamentais para a formação dos pilares que compõem o mundo ocidental”.

Para Neto, em termos percentuais, a possibilidade de que antiguidade oriental esteja presente no Enem é pequena. “Uma possibilidade provável, seria a cobrança de Grécia e Roma e talvez, a sua interface com as civilizações da antiguidade oriental”, esclarece. 

Características do Antigo Egito

Neto explica que o Egito possuía uma economia agrária, dependente das cheias do rio Nilo. Tinha uma estrutura política centralizada, composta por um grande número de funcionários públicos (uma vasta burocracia). O poder político ficava concentrado nas mãos do Faraó em um regime político que pode ser denominado Teocracia,  visto como um deus ou representante de deus, a depender do Faraó em questão e da época.

“A Sociedade do Egito era praticamente sem mobilidade social, com algumas pequenas exceções. A população trabalhava no regime de Servidão Coletiva, prestando serviços para o Estado, através da agricultura ou dos trabalhos em obras públicas. Do ponto de vista religioso, vale destacar que os egípcios eram politeístas [que acredita na existência de vários deuses], como a maioria dos povos da antiguidade”, comenta.

Os egípcios desenvolveram uma civilização baseada na dependência em relação ao Rio Nilo

Os egípcios desenvolveram uma civilização baseada na dependência em relação ao Rio Nilo Divulgação/ Freepik

Gabrieli Simões, professora do Poliedro Curso de São Paulo explica que a Era do Egito Antigo compreende o período que vai da Unificação entre o Alto Egito e o Baixo Egito (3100 a.C.) até a conquista do Egito pelos romanos (30 a.C.). “Durante este período, os egípcios desenvolveram uma civilização baseada na dependência em relação ao Rio Nilo, que possibilitava a agricultura em meio ao deserto do Saara. Além disso, o período é marcado por grandes construções comandadas pelos Faraós, especialmente monumentos funerários, como as pirâmides de Gizé, e obras de infraestrutura, nas quais é possível encontrar até hoje registros escritos (hieróglifos) e artísticos desta civilização”, diz.

Do ponto de vista da professora, para os vestibulares, os candidatos devem ter atenção especialmente às características culturais, como a religião, que era politeísta, antropozoomórfica e com crença na vida após a morte; política que era teocracia e comandada pelo Faraó, e economia, que era agrícola, sendo as terras pertencentes ao Estado e cultivadas pelos camponeses em regime de servidão coletiva.

“É necessário se atentar às diversas relações dos egípcios com outros povos da antiguidade, como os hebreus, gregos e romanos, com quem mantinham estreitas relações comerciais e trocas culturais. Tais relações multiculturais possibilitaram a sobrevivência de legados importantes da cultura egípcia, como nas artes e na medicina”, conclui.

*Estagiário do R7 sob supervisão de Karla Dunder

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