Investigador diz que Fernando Pessoa "reprimiu a sua homossexualidade"

O investigador, doutorado em Filosofia Política e Jurídica pela Universidade da Sorbonne, considera, em “A homossexualidade de Fernando Pessoa”, que a questão da homossexualidade do autor de “Mensagem” (1934) tem sido de certa forma ignorada por investigadores pessoanos, que acusa de “silêncio” sobre o tema.

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“O silêncio de vários estudiosos de Fernando Pessoa, as suas omissões ou os seus rodeios, têm sido a tónica dominante sobre o tema da sexualidade em Fernando Pessoa”, escreveu.

Quanto “à homossexualidade de Fernando Pessoa, existe explicitamente nuns e implicitamente noutros a negação da mesma, que por vezes tem subjacente preconceitos homofóbicos, que se manifestam de modo indireto, subtil e sinuoso”, escreve o autor, referindo que “existe uma grande falta de conhecimento sobre Fernando Pessoa” entre o grande público.

Para o investigador, a recusa de Pessoa em publicar a sua obra em vida “não terá sido inocente e despropositada, pois continha muita coisa que só com o tempo viria a ser descoberta, que só hoje pode ser lida, e que a leitura atenta sem preconceitos permite concluir que Fernando Pessoa era homossexual”.

A obra, com selo das Edições Vieira da Silva, é apresentada na quinta-feira, pelas 18:30, na Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, pelo escritor Fernando Dacosta e pelo professor universitário Helder Bértolo, presidente da Opus Diversidades (ex-Opus Gay).

“A homossexualidade presente na obra de Fernando Pessoa não pode ser dissociada da personalidade do seu autor”, afirma Correia.

Quanto à obra de Pessoa, Victor Correia chama à atenção que nos seus textos Pessoa criou “figuras cultivadas pelo imaginário homoerótico que o fascinaram”, referindo o príncipe, o marinheiro, o cavaleiro e o pastor.

Por outro lado, as suas biografias imaginárias, que atribuiu às personagens, são “quase todas de homens solteiros, afastados da convivência feminina, e alguns deles sugeridos como homossexuais”.

“A Homossexualidade de Fernando Pessoa” está dividida em 16 capítulos e aborda “a sexualidade enquanto tema em Pessoa” e os “percursos biográficos marcantes” do poeta.

Entre outras questões, Correia dedica ainda capítulos às designações dadas à homossexualidade e a sua utilização pelo poeta, metáforas homoeróticas na obra pessoana, “as mulheres e a feminilidade segundo Pessoa” ou as “práticas sexuais de Fernando Pessoa”, referindo as “dificuldades de Pessoa em desenvolver a sua homossexualidade”.

Sobre o poeta, Victor Correia publicou em novembro do ano passado, “Textos de Fernando Pessoa sobre Arte”, com ilustrações de António Canau, tendo já em 2018 abordado o assunto a que regressa com o mais recente título em “Homossexualidade e Homoerotismo em Fernando Pessoa”.

Dois anos depois, editou, pela Colibri, “Homossexualidade no Livro do Desassossego de Fernando Pessoa”.

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