Lisboa celebra ‘Abril em Flor’ com "canções de esperança e resistência"

A eles juntam-se as Cantadeiras e Cantadores do Redondo, assim como Aldina Duarte, Capicua, Carlão e Tim, que vão dizer poemas de Manuel Alegre, Sophia de Mello Breyner Andresen, Jonas Negalha e Ruy Belo, projetados em vídeo em redor no palco da Praça do Comércio, segundo o programa divulgado pela Câmara de Lisboa.

Durante o espetáculo, com início marcado para as 22:00, o autor de banda desenhada, ilustrador e cenógrafo António Jorge Gonçalves irá criar, a partir de fotografias, um universo em desenho ao vivo a projetar no palco, que terá acompanhamento musical de Sérgio Costa, Rui Alves, Carlos Salomé, Paulo Jorge e Guilherme Duque, sob a direção de Tomás Pimentel.

Hoje e terça-feira, na Biblioteca de Marvila, o Teatro do Vestido apresenta “Revolution Junkies — Estrangeiros na Revolução Portuguesa”, a partir das 21:00, uma criação, com direção e texto de Joana Craveiro.

“Revolution Junkies” fala sobre a atração que a Revolução de Abril exerceu sobre cidadãos de diferentes países, quer pelas suas convicções, quer pelo caráter inédito que mobilizou a imprensa internacional: um caráter que, quatro décadas mais tarde, nos 40 anos do 25 de Abril, levou a reportagem da NBC News a falar no “golpe mais ‘fixe’ do mundo” (“The world’s coolest coup”).

O Museu do Aljube fica de portas abertas na terça-feira, quando passam 49 anos sobre a queda da ditadura, sendo possível visitar exposições temporárias, como “A artista saiu à rua”, com fotografias de Ana Hatherly da época, e “O povo está na rua — Praças e Paços das Revoluções”, no vizinho Teatro Romano de Lisboa.

“Sinais da Liberdade — Iconografia da Democracia no Arquivo Ephemera”, exposição que reúne imagens e objetos produzidos após o 25 de Abril de 1974, patente até 28 de maio, também está aberta no edifício do Antigo Tribunal da Boa Hora, com material iconográfico selecionado a partir do Arquivo Ephemera de José Pacheco Pereira.

Ao todo, as Festas de Abril em Lisboa, uma iniciativa da empresa municipal de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural (EGEAC), reúnem cerca de meia centena de atividades, nos diferentes equipamentos municipais, com passagem também pelas redes sociais da câmara, entre espetáculos de música, exposições, teatro, cinema, conversas e leituras, entre outras propostas culturais.

No âmbito do Festival 2504, a decorrer até terça-feira, numa coprodução da Comissão Comemorativa dos 50 anos do 25 de Abril com a Junta de Freguesia de Benfica, decorre a iniciativa “#NãoPodias”, que “apela aos mais jovens para que não deem a liberdade por adquirida, desafiando-os a escolherem uma de várias proibições impostas aos portugueses durante a ditadura [1926-1974] e de partilharem essa informação e as suas reflexões nas plataformas digitais”.

Esta ação tem hoje a última conversa, sob o tema “#NãoPodias Ser Europeu”, com moderação do jornalista João Francisco Gomes, com início marcado para as 18:30, num ciclo de encontros em que se falou igualmente sobre a impossibilidade de votar (“#NãoPodias Votar”), nem falar livremente (“#NãoPodias Expressar-te”).

A última conversa deste ciclo acontece exatamente 49 anos depois do último dia da ditadura, na véspera do 25 de Abril de 1974, na véspera desse dia em a censura acabou, a polícia política conheceu o seu fim e se abriu o caminho para que todos pudessem votar, expressar-se, discordar, reunir-se e viajar livremente, como mostra a página da iniciativa, o caminho para que todos pudessem ter acesso ao ensino, à saúde e à segurança social, para que todos pudessem escolher os seus autarcas e ter acesso a água, luz, saneamento, e para que Portugal pudesse abandonar o estigma de um país “orgulhosamente só”, afirmado pelo ditador Oliveira Salazar, para assumir o seu lugar na comunidade da Europa democrática, da atual União Europeia, saída da II Guerra Mundial.

A participação na iniciativa “#Não Podias” – ou a consulta do que era proibido – pode ser feita a partir de https://www.50anos25abril.pt/nao-podias. Livremente. “Há 50 anos ‘#não podias’ estar a ler este texto”, lê-se na página de abertura. “Teria sido censurado.”

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