A operação Calígula, que teve como alvos o bicheiro Rogério de Andrade e o acusado pela morte da vereadora Marielle Franco, Ronnie Lessa, vazou antes da deflagração nesta terça-feira (10), segundo promotores do Gaeco (Grupo de Atuação Especializado contra o Crime Organizado).
Durante a coletiva de imprensa, o promotor Bruno Gangoni confirmou que a decisão da Justiça referente ao caso foi encontrada na residência do delegado Marcos Cipriano, preso na ação.
“Encontramos, sim, a cópia. Isso indica, claro, vazamento. E vai ser apurado no momento oportuno, nas instâncias cabíveis”, disse o promotor, que admitiu que o vazamento atrapalhou as investigações.
Marcos Cipriano é apontado como ligado à organização criminosa de Rogério de Andrade, que permanece foragido. De acordo com as investigações, Cipriano intermediou uma conversa com a então titular da 16ª DP (Barra da Tijuca) Adriana Belém, em 2018, para liberação de máquinas de caça-níqueis apreendidas, após envio de caminhões por parte de Ronnie Lessa.
Inicialmente alvo de busca e apreensão, Adriana Belém, denunciada por corrupção passiva, também acabou presa por indícios de lavagem de dinheiro, após ter sido flagrada com R$ 1,8 milhão dentro de uma mala em casa.
“Ela ficou tranquila com a chegada dos agentes. Nos tratou com respeito. Estava chateada. Mas foi uma surpresa nitidamente quando conseguimos achar o restante, não aquilo que era declarado, que era o quantitativo do cofre [R$ 60 mil]”, explicou a promotora Roberta Laplace.
Apesar de ter tentado justificar aos agentes que o montante foi resultado de anos de trabalho na Polícia Civil e parcerias nas redes sociais, a origem do dinheiro deverá ser apurada.
As investigações mostram que a relação do bicheiro Rogério de Andrade com o policial reformado Ronnie Lessa, acusado de matar Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes, é antiga. Os promotores confirmaram, ainda, que uma das linhas de investigação é a possível vinculação do contraventor com o crime.
Lessa era segurança do contraventor, em 2008, quando sofreu um atentado, que levou a amputação de uma perna. Os dois se reaproximaram em abril de 2018, após os assassinatos de Marielle e Anderson.
A apuração do MP revelou que eles firmaram uma parceria na instalação de uma casa apostas na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, em junho, e tinham planos de expandir o empreendimento.
O MP denunciou 30 pessoas à Justiça em documentos divididos em quatro partes. Entre os foragidos estão Rogério de Andrade e o filho dele.
O Gaeco afirmou que 14 mandados de prisão foram cumpridos na operação – duas pessoas já estavam detidas: Ronnie Lessa e outro PM acusado de matar um dos concorrentes de Rogério de Andrade, o também contraventor Fernando Iggnácio.
A ação também mirou o núcleo tecnológico do jogo do bicho, comandado por Rogério de Andrade. O MP informou que obteve uma decisão judicial para tirar do ar o sistema em todo o Brasil

